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China Business Intelligence

Windey investirá R$ 100 milhões em fábrica de baterias em Camaçari

12/07/2026 • 01:26

Linha de produção industrial usada para ilustrar impactos de inflação, juros e PIB sobre empresas brasileiras
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Empresa chinesa lançou a pedra fundamental de sua primeira fábrica brasileira de sistemas de armazenamento de energia; unidade terá capacidade estimada de 1,5 GWh por ano e deverá iniciar as operações no primeiro semestre de 2027

A chinesa Windey Energy lançou a pedra fundamental de sua primeira fábrica brasileira de sistemas de armazenamento de energia em baterias no Polo Industrial de Camaçari, na Bahia. O projeto prevê investimentos de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos, sendo aproximadamente R$ 30 milhões destinados à fase inicial de implantação.

A cerimônia de lançamento ocorreu em 9 de junho de 2026 e marcou o início da etapa industrial da expansão da Windey no Brasil. De acordo com o cronograma apresentado, a fábrica deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2027.

Com capacidade produtiva estimada em 1,5 gigawatt-hora por ano, a unidade será voltada à fabricação e integração de sistemas BESS, sigla em inglês para Battery Energy Storage System, ou sistema de armazenamento de energia em baterias.

Essas soluções permitem armazenar eletricidade produzida em determinados períodos e utilizá-la posteriormente, ajudando a equilibrar as variações entre geração e consumo. A tecnologia é considerada estratégica para a expansão das fontes solar e eólica, cuja produção depende de fatores climáticos e pode variar ao longo do dia.

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Fábrica da Windey atenderá Brasil e América Latina

A unidade de Camaçari foi planejada para funcionar como uma base industrial e comercial da Windey para o atendimento do mercado brasileiro e de outros países latino-americanos.

Segundo Ricardo Galvão, CEO da Windey Brasil, a escolha do Polo Industrial de Camaçari considera fatores como infraestrutura, localização e a integração com o ecossistema de pesquisa e desenvolvimento existente na Bahia.

A fábrica representa a segunda etapa da implantação da companhia no país. Em 2025, a Windey inaugurou seu escritório nacional e iniciou uma parceria com o Senai Cimatec para a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Salvador.

Com a nova unidade, a empresa pretende reunir pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico, produção industrial e atendimento comercial em uma mesma estratégia de expansão regional.

A planta deverá produzir soluções próprias da Windey, entre elas o VoltPack-L5015-G01, além de um sistema BESS desenvolvido em parceria com o Senai Cimatec.

Capacidade produtiva será de 1,5 GWh por ano

A capacidade anual estimada de 1,5 GWh é um dos principais dados do projeto. O volume indica a escala potencial da operação e posiciona a fábrica entre os novos investimentos relevantes da cadeia brasileira de armazenamento de energia.

A unidade será estruturada para atender aos requisitos de nacionalização e financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, por meio do Finame.

O enquadramento poderá facilitar o acesso de clientes a linhas de financiamento para a aquisição de equipamentos produzidos no país, desde que os produtos cumpram os critérios técnicos e de conteúdo nacional estabelecidos pelo banco.

A estratégia também pode estimular a formação de uma cadeia local de fornecedores, envolvendo componentes elétricos, estruturas metálicas, sistemas de controle, engenharia, montagem, manutenção e serviços especializados.

O nível efetivo de nacionalização, entretanto, dependerá da execução do projeto, da seleção de fornecedores e do cumprimento das exigências necessárias para o credenciamento dos equipamentos.

Investimento de R$ 100 milhões será realizado em cinco anos

O plano anunciado pela Windey prevê o investimento de R$ 100 milhões ao longo dos próximos cinco anos. Cerca de R$ 30 milhões deverão ser aplicados na fase inicial da implantação da fábrica.

A distribuição dos recursos ao longo do período indica que a expansão da unidade ocorrerá de maneira gradual, acompanhando o desenvolvimento do mercado brasileiro de armazenamento de energia e a contratação de novos projetos.

Até o momento, não foi divulgado um número fechado de empregos diretos que serão criados pela fábrica. Também não foram detalhados o cronograma completo de contratações, o número de fornecedores nacionais ou a produção esperada durante o primeiro ano de operação.

Esses indicadores serão importantes para medir o impacto econômico efetivo do empreendimento sobre Camaçari e sobre a cadeia industrial da Bahia.

Sistemas BESS ganham espaço no setor elétrico

Os sistemas de armazenamento de energia vêm ganhando importância com o avanço das fontes renováveis. Enquanto usinas térmicas e hidrelétricas controláveis podem ajustar sua produção de acordo com a demanda, a geração solar e eólica está diretamente relacionada à disponibilidade de sol e vento.

As baterias ajudam a administrar essa variação ao armazenar energia nos períodos de maior produção e disponibilizá-la quando a geração diminui ou o consumo aumenta.

Além de parques solares e eólicos, os sistemas BESS podem ser utilizados por empresas, indústrias, centros de dados, redes de distribuição e grandes consumidores que buscam elevar a confiabilidade do fornecimento ou administrar os picos de demanda.

A tecnologia também pode contribuir para reduzir perdas, melhorar o aproveitamento da infraestrutura elétrica e oferecer serviços de estabilidade ao sistema.

A implantação da fábrica ocorre enquanto o Brasil avança nas discussões regulatórias e comerciais para ampliar o uso de sistemas de armazenamento. A definição das regras para contratação, remuneração e conexão desses equipamentos será decisiva para o desenvolvimento do setor.

Camaçari amplia participação na indústria de energia limpa

A escolha de Camaçari reforça a diversificação do polo industrial baiano. Tradicionalmente ligado aos setores petroquímico, automotivo e de transformação, o município passou a receber novos investimentos associados à mobilidade elétrica, às energias renováveis e à transição para uma economia de baixo carbono.

A localização na Bahia também aproxima a Windey de uma das principais regiões brasileiras de geração eólica e solar. Essa proximidade pode favorecer a realização de projetos, testes, assistência técnica e parcerias com empresas que já atuam no setor energético.

O investimento soma-se à presença de outras companhias chinesas que passaram a considerar o Brasil não apenas como mercado consumidor, mas também como base de produção, pesquisa e distribuição para a América Latina.

Próximas etapas da fábrica da Windey

Após o lançamento da pedra fundamental, o projeto deverá avançar pelas etapas de implantação da estrutura industrial, instalação dos equipamentos, contratação e qualificação das equipes, seleção de fornecedores e preparação das linhas de produção.

O início das operações está previsto para o primeiro semestre de 2027. Até lá, o mercado acompanhará a evolução das obras, o grau de nacionalização dos equipamentos e os primeiros contratos comerciais da nova unidade.

Caso o cronograma seja cumprido, a fábrica colocará Camaçari em uma posição relevante na cadeia latino-americana de armazenamento de energia. O desafio da Windey será transformar o plano de investimento em produção efetiva, desenvolvimento tecnológico e integração com fornecedores brasileiros.

Mais do que a chegada de uma nova fábrica, o empreendimento representa uma aposta no crescimento dos sistemas de armazenamento como parte da infraestrutura necessária para a expansão das energias renováveis no Brasil.