STF abriu inquérito em março sobre vazamento de dados de Daniel Vorcaro; PGR apura relatório da PF
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Inquérito determinado por André Mendonça trata da divulgação de informações extraídas dos celulares do ex-banqueiro; procedimento posterior da PGR analisa possível interferência na elaboração de relatório policial
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, em 6 de março de 2026, um inquérito para apurar o vazamento de informações e mensagens obtidas a partir de aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A investigação foi determinada pelo ministro André Mendonça na Petição (PET) 15.612, após pedido apresentado pela defesa do empresário.
O objeto desse inquérito é o possível vazamento das informações extraídas dos aparelhos de Vorcaro. A existência do procedimento não significa, por si só, que o conteúdo das mensagens ou as pessoas mencionadas nelas estejam sendo investigados por irregularidades.
Meses depois, entretanto, o caso ganhou uma nova frente institucional após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações obtidas a partir do material apreendido e registrou contatos envolvendo Vorcaro e autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que instaurou um procedimento para examinar as circunstâncias da elaboração desse relatório policial.
Inquérito de março investiga vazamento
Em comunicado divulgado em 6 de março, o STF informou que André Mendonça havia determinado a abertura de investigação para apurar o vazamento de informações e mensagens obtidas a partir dos celulares de Daniel Vorcaro.
A medida atendeu a uma solicitação da defesa do então banqueiro e foi adotada no âmbito da PET 15.612.
Os registros processuais públicos do Supremo mostram que a petição foi protocolada e autuada em 6 de março e distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça. Na mesma data, houve decisão monocrática de deferimento e comunicação à Procuradoria-Geral da República.
O alcance desse procedimento deve ser diferenciado dos desdobramentos ocorridos posteriormente. O inquérito aberto em março tem como objeto formal o vazamento das informações, e sua existência não equivale a uma conclusão sobre eventual prática criminosa por pessoas citadas no material.
Relatório da PF provocou novo debate no STF
No início de setembro, tornou-se público um relatório produzido pela Polícia Federal a partir da análise de material relacionado a Daniel Vorcaro.
O documento registrou informações sobre contatos envolvendo o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes e passou a ser objeto de controvérsia jurídica dentro do Supremo e da Procuradoria-Geral da República.
Em manifestação encaminhada ao STF em 1º de setembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade do aprofundamento da investigação que resultou no relatório.
Segundo o entendimento apresentado pela PGR, uma apuração direcionada a eventual conduta de um ministro do Supremo não poderia ter sido aprofundada por determinação individual do relator sem que a questão fosse previamente submetida aos procedimentos institucionais aplicáveis dentro da Corte.
A manifestação da PGR discute, portanto, a validade jurídica da forma como a apuração foi conduzida. A existência do relatório ou de mensagens nele registradas não representa, isoladamente, comprovação de prática ilícita por qualquer autoridade citada.
PGR abriu procedimento sobre elaboração do relatório
Em 4 de setembro, Paulo Gonet comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a instauração de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial relacionado à produção do relatório da Polícia Federal.
Entre os pontos a serem esclarecidos está a eventual existência de ordem ou interferência externa durante a elaboração do documento que pudesse ter afetado seu conteúdo.
Essa iniciativa é distinta do inquérito aberto por André Mendonça em março.
Enquanto a PET 15.612 originou uma investigação sobre o vazamento de dados e mensagens extraídos dos celulares de Vorcaro, o procedimento instaurado posteriormente pela PGR examina as circunstâncias da atuação policial na produção do relatório.
Fachin acompanha os desdobramentos
O presidente do STF, Edson Fachin, também se pronunciou sobre os acontecimentos. Em 2 de setembro, afirmou que os fatos exigiam encaminhamento institucional e disse que adotaria as medidas que considerasse cabíveis após a análise das informações disponíveis.
Os diferentes procedimentos ainda não autorizam conclusões sobre responsabilidade de integrantes do Supremo, da Polícia Federal ou de outras autoridades citadas.
Há, neste momento, discussões distintas: a apuração do vazamento das informações de Daniel Vorcaro, a validade das diligências que resultaram no relatório da Polícia Federal e o procedimento da PGR destinado a esclarecer como esse documento foi produzido.
A separação entre essas frentes é fundamental para evitar que a existência de uma investigação seja apresentada como comprovação de irregularidade e para distinguir o objeto específico de cada procedimento.