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STF abriu inquérito em março sobre vazamento de dados de Daniel Vorcaro; PGR apura relatório da PF

Publicado em 05/09/2026 • 13:04 | Atualizado em 08/09/2026 • 11:37

Fachada do Supremo Tribunal Federal em Brasília em fotografia editorial sem pessoas identificáveisIlustração gerada por IA
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Inquérito determinado por André Mendonça trata da divulgação de informações extraídas dos celulares do ex-banqueiro; procedimento posterior da PGR analisa possível interferência na elaboração de relatório policial

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, em 6 de março de 2026, um inquérito para apurar o vazamento de informações e mensagens obtidas a partir de aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A investigação foi determinada pelo ministro André Mendonça na Petição (PET) 15.612, após pedido apresentado pela defesa do empresário.

O objeto desse inquérito é o possível vazamento das informações extraídas dos aparelhos de Vorcaro. A existência do procedimento não significa, por si só, que o conteúdo das mensagens ou as pessoas mencionadas nelas estejam sendo investigados por irregularidades.

Meses depois, entretanto, o caso ganhou uma nova frente institucional após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações obtidas a partir do material apreendido e registrou contatos envolvendo Vorcaro e autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que instaurou um procedimento para examinar as circunstâncias da elaboração desse relatório policial.

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Inquérito de março investiga vazamento

Em comunicado divulgado em 6 de março, o STF informou que André Mendonça havia determinado a abertura de investigação para apurar o vazamento de informações e mensagens obtidas a partir dos celulares de Daniel Vorcaro.

A medida atendeu a uma solicitação da defesa do então banqueiro e foi adotada no âmbito da PET 15.612.

Os registros processuais públicos do Supremo mostram que a petição foi protocolada e autuada em 6 de março e distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça. Na mesma data, houve decisão monocrática de deferimento e comunicação à Procuradoria-Geral da República.

O alcance desse procedimento deve ser diferenciado dos desdobramentos ocorridos posteriormente. O inquérito aberto em março tem como objeto formal o vazamento das informações, e sua existência não equivale a uma conclusão sobre eventual prática criminosa por pessoas citadas no material.

Relatório da PF provocou novo debate no STF

No início de setembro, tornou-se público um relatório produzido pela Polícia Federal a partir da análise de material relacionado a Daniel Vorcaro.

O documento registrou informações sobre contatos envolvendo o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes e passou a ser objeto de controvérsia jurídica dentro do Supremo e da Procuradoria-Geral da República.

Em manifestação encaminhada ao STF em 1º de setembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade do aprofundamento da investigação que resultou no relatório.

Segundo o entendimento apresentado pela PGR, uma apuração direcionada a eventual conduta de um ministro do Supremo não poderia ter sido aprofundada por determinação individual do relator sem que a questão fosse previamente submetida aos procedimentos institucionais aplicáveis dentro da Corte.

A manifestação da PGR discute, portanto, a validade jurídica da forma como a apuração foi conduzida. A existência do relatório ou de mensagens nele registradas não representa, isoladamente, comprovação de prática ilícita por qualquer autoridade citada.

PGR abriu procedimento sobre elaboração do relatório

Em 4 de setembro, Paulo Gonet comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a instauração de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial relacionado à produção do relatório da Polícia Federal.

Entre os pontos a serem esclarecidos está a eventual existência de ordem ou interferência externa durante a elaboração do documento que pudesse ter afetado seu conteúdo.

Essa iniciativa é distinta do inquérito aberto por André Mendonça em março.

Enquanto a PET 15.612 originou uma investigação sobre o vazamento de dados e mensagens extraídos dos celulares de Vorcaro, o procedimento instaurado posteriormente pela PGR examina as circunstâncias da atuação policial na produção do relatório.

Fachin acompanha os desdobramentos

O presidente do STF, Edson Fachin, também se pronunciou sobre os acontecimentos. Em 2 de setembro, afirmou que os fatos exigiam encaminhamento institucional e disse que adotaria as medidas que considerasse cabíveis após a análise das informações disponíveis.

Os diferentes procedimentos ainda não autorizam conclusões sobre responsabilidade de integrantes do Supremo, da Polícia Federal ou de outras autoridades citadas.

Há, neste momento, discussões distintas: a apuração do vazamento das informações de Daniel Vorcaro, a validade das diligências que resultaram no relatório da Polícia Federal e o procedimento da PGR destinado a esclarecer como esse documento foi produzido.

A separação entre essas frentes é fundamental para evitar que a existência de uma investigação seja apresentada como comprovação de irregularidade e para distinguir o objeto específico de cada procedimento.

Revista Empreende

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