BYD investe R$ 300 milhões em centro de testes no Rio de Janeiro

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Projeto no Galeão terá 183.861 m², pista de experiências e foco em pesquisa, validação de veículos elétricos e tecnologias de direção autônoma.
A BYD vai investir R$ 300 milhões na construção de seu primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva no Brasil, ao lado do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O empreendimento amplia a presença da companhia chinesa no país para além da fabricação e da venda de veículos: a proposta é criar uma estrutura local de pesquisa e desenvolvimento capaz de validar tecnologias em condições reais de uso e adaptá-las ao mercado brasileiro e latino-americano.
Segundo o comunicado oficial da BYD, as obras estão programadas para começar no fim de 2026, com inauguração prevista para 2028. A área total será de 183.861 metros quadrados, na Ilha do Governador, e foi escolhida por sua conexão logística com o aeroporto e pela proximidade com parceiros, visitantes e centros de decisão.
Centro de testes coloca pesquisa no centro da expansão da BYD
O projeto foi inspirado em estruturas tecnológicas que a empresa mantém na China, como a unidade de Zhengzhou. No Rio, o complexo deverá funcionar como uma plataforma de experiência, demonstração e P&D. Na prática, isso significa que a BYD terá uma base brasileira para observar o comportamento de veículos, componentes e sistemas em situações que reproduzem o uso cotidiano.
A infraestrutura prevista inclui testes de velocidade, potência, resistência, durabilidade e desempenho. Também haverá pistas para diferentes tipos de terreno, circuito fora de estrada e estruturas destinadas a experiências específicas com modelos e tecnologias da marca. A capacidade de reunir essas avaliações em um único local pode reduzir o tempo entre a identificação de uma necessidade regional e a validação de uma solução para o mercado.
O movimento ocorre enquanto fabricantes chinesas aumentam sua participação na indústria automotiva nacional. A nova fábrica da GWM em Aracruz, por exemplo, mostra como o Brasil passou a ser considerado não apenas um destino de vendas, mas uma plataforma industrial, tecnológica e exportadora para a América Latina.
Dados tropicais podem orientar veículos para Brasil e América Latina
Um dos objetivos declarados do centro é gerar dados em condições tropicais. Temperatura, umidade, pavimento, relevo, poeira, chuva intensa e hábitos de condução influenciam o desempenho e a durabilidade de veículos eletrificados. Ao realizar testes perto do mercado consumidor, a empresa ganha informações para calibrar sistemas, aperfeiçoar componentes e avaliar a experiência de uso com maior precisão.
A BYD também prevê dar prioridade a inovações ligadas à direção autônoma. A instalação não significa que uma tecnologia específica esteja pronta para uso comercial no país, mas cria capacidade para demonstração, coleta de dados e validação. A adoção futura continuará condicionada à maturidade dos sistemas, às regras brasileiras e aos requisitos de segurança.
A companhia informou que mantém 122 mil profissionais dedicados a pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo. O centro carioca deverá conectar parte dessa estrutura global às necessidades da região. Até o momento, porém, a BYD não divulgou quantos empregos diretos serão criados no empreendimento do Rio nem apresentou um calendário detalhado de contratações. Esses indicadores precisarão ser acompanhados durante a execução das obras.
Investimento no Rio complementa a produção em Camaçari
O centro de testes se soma à expansão industrial da BYD na Bahia. Em 2026, a empresa informou que mais de 50 mil unidades dos modelos Dolphin Mini, King e Song Pro já haviam saído da linha de Camaçari. A fábrica empregava mais de 4.100 pessoas e recrutava outros 1.600 trabalhadores para iniciar um terceiro turno.
Essa combinação entre produção e pesquisa é relevante para o processo de nacionalização. Uma fábrica pode ampliar o conteúdo local e aproximar fornecedores; um centro de testes acrescenta engenharia, validação e desenvolvimento de soluções. O resultado potencial é uma cadeia automotiva mais diversificada, com demanda por serviços técnicos, instrumentação, software, análise de dados, manutenção, segurança e formação profissional.
O avanço também se conecta a outros investimentos chineses em tecnologia de energia no país. A fábrica de sistemas de armazenamento da Windey em Camaçari ilustra como mobilidade elétrica, baterias e geração renovável estão formando novas cadeias industriais no Brasil.
Próximos marcos do projeto no Galeão
O cronograma anunciado concentra dois marcos objetivos: início das obras no fim de 2026 e inauguração em 2028. Até lá, o mercado deverá acompanhar o licenciamento, a preparação do terreno, a contratação de fornecedores, a definição dos equipamentos e a formação das equipes que operarão as pistas e os laboratórios.
Para o Rio de Janeiro, o desafio será transformar o aporte em atividade permanente de inovação, com conexões com universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia. Para a BYD, a estrutura será um teste de sua capacidade de converter a escala global em soluções ajustadas às condições brasileiras. Se o cronograma for cumprido, o centro poderá ampliar o papel do país na estratégia tecnológica da montadora e apoiar o desenvolvimento de veículos para toda a região.