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CazéTV, Globo e Amazon: a guerra pelo streaming esportivo no Brasil

Pessoa assistindo futebol em plataformas de streaming no smartphone e notebook

CazéTV garante todos os jogos da Copa 2026 e mira Olimpíadas de 2028; Globo responde com a GE TV no YouTube numa disputa que redesenha o mercado de mídia esportiva no Brasil.

O futebol brasileiro nunca foi tão fragmentado nas telas, e nunca gerou tanto dinheiro para quem detém os direitos de transmissão. A disputa entre CazéTV, Globo, Amazon Prime Video e outras plataformas pelo domínio do streaming esportivo entrou em uma nova fase em 2026, com movimentos que vão muito além do campo e afetam diretamente a receita dos clubes, o valor dos contratos e o comportamento dos torcedores como consumidores.

CazéTV: do quarto à Copa do Mundo

Fundada pelo streamer Casimiro Miguel durante a pandemia, a CazéTV, braço esportivo da LiveMode, se tornou um fenômeno de audiência e negócios em tempo recorde. O canal acumula mais de 22 milhões de inscritos no YouTube e conquistou o direito de transmitir todos os jogos da Copa do Mundo de 2026, sendo a única emissora brasileira com cobertura completa da competição. Em dezembro de 2025, a empresa anunciou também acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para transmitir os Jogos de Los Angeles 2028 e os Jogos de Inverno de 2026, segundo reportagem do Estadão.

O modelo de negócio da CazéTV é baseado em conteúdo gratuito no YouTube, monetizado por publicidade e patrocínios de grandes marcas. A Exame apontou que a empresa transformou lives esportivas em um negócio bilionário, com receita estimada em centenas de milhões de reais anuais.

Globo reage com a GE TV

A resposta da Globo veio em agosto de 2025, com o lançamento da GE TV, canal esportivo digital no YouTube. A emissora contratou o narrador Jorge Iggor, ex-TNT Sports, e adotou um modelo similar ao da CazéTV, com transmissões ao vivo e conteúdo gratuito. A estratégia representa uma mudança significativa de postura da Globo, que historicamente priorizou o modelo fechado de TV por assinatura e o Globoplay.

A disputa vai além da audiência. Ela envolve a compra de direitos esportivos, um ativo cada vez mais caro e disputado. Segundo a CNN Brasil, a Globo mudou sua estratégia para não perder contratos de transmissão para plataformas digitais, que operam com estruturas de custo mais enxutas e chegam a audiências que já não assistem à TV aberta.

Amazon Prime Video e o modelo por assinatura

O Amazon Prime Video mantém presença relevante no futebol brasileiro com transmissões exclusivas da Champions League e alguns jogos do Brasileirão. O modelo por assinatura convive com os canais gratuitos num ecossistema multipolar: o torcedor hoje distribui sua atenção entre TV aberta, pay-per-view, streaming pago e YouTube gratuito, dependendo do jogo.

O impacto financeiro nos clubes

Para os clubes, a fragmentação dos direitos tem dois lados. Por um lado, aumenta o valor total dos contratos de transmissão, já que mais players competem pelos direitos. Por outro, cria complexidade na negociação e pode reduzir o alcance de determinadas partidas. O Brasileirão 2026, por exemplo, tem seus jogos distribuídos entre Globo, SporTV, Amazon, CazéTV e outros canais, num modelo pulverizado que ainda gera debates sobre qual formato maximiza receitas e audiência.

Para onde vai o mercado

A tendência global aponta para a consolidação do streaming como canal principal de consumo esportivo, com o YouTube se firmando como plataforma dominante para conteúdo gratuito ao vivo. No Brasil, a CazéTV acelerou esse processo. A questão central para os próximos anos é quem conseguirá pagar mais pelos grandes direitos esportivos, e como os clubes e entidades vão estruturar seus contratos para capturar o máximo de valor nesse novo ambiente.

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Fontes: Exame, como a CazéTV transformou lives em negócio bilionário, CNN Brasil, Globo muda estratégia para enfrentar CazéTV.