Corinthians lidera o ranking das dívidas com mais de R$ 2 bilhões, mas Atlético-MG, Botafogo e Vasco também acumulam passivos bilionários nos balanços de 2025.
Os balanços financeiros da temporada 2025 revelam um futebol brasileiro cada vez mais dependente de receitas recordes para sustentar dívidas que não param de crescer. Corinthians, Atlético-MG, Botafogo e Vasco somam juntos passivos que ultrapassam R$ 6 bilhões, segundo levantamento da Sportsvalue com base nos demonstrativos financeiros publicados pelos clubes. O dado coloca o modelo de gestão do futebol nacional no centro do debate sobre sustentabilidade financeira.
Corinthians na liderança, pelo lado errado
O Corinthians encerrou 2025 como o clube mais endividado do Brasil, com um déficit de R$ 143,4 milhões no exercício e dívida total que supera R$ 2 bilhões. Apesar de as receitas terem crescido 17% acima do orçamento previsto, a estrutura de custos do clube, em especial a folha salarial e os encargos financeiros, impediu a redução do passivo. A diretoria registrou o maior faturamento da história do clube, mas o resultado operacional continua negativo.
Atlético-MG: campeão com dívida de R$ 1,7 bilhão
O Atlético Mineiro, que conquistou o Brasileirão e a Copa do Brasil em 2024, divulgou em seu balanço de 2025 uma dívida de R$ 1,7 bilhão. O clube detalhou que espera redução de juros ao longo de 2026 com a renegociação de parte do passivo. Os gastos com a campanha vitoriosa e com a manutenção do elenco de alto nível pesaram sobre as finanças. O Galo é um dos casos mais simbólicos da contradição entre sucesso esportivo e equilíbrio financeiro.
Botafogo e Vasco: SAFs com desafios diferentes
O Botafogo, que se tornou SAF em 2022 com o aporte do americano John Textor, aparece entre os clubes com maior deterioração de saldo no exercício de 2024, segundo levantamento do ge.globo. Já o Vasco divulgou balanço da SAF com aumento de receita e dívida superior a R$ 1 bilhão, mas indicou lucro operacional pela primeira vez desde a implementação do modelo. O dado é encarado como sinal positivo pela gestão, ainda que o passivo total siga elevado.
São Paulo: o contraponto positivo
Enquanto os rivais acumulam déficits, o São Paulo apresentou em 2025 faturamento recorde de R$ 1 bilhão, com redução de dívida. O MorumBIS foi a grande alavanca financeira: o clube arrecadou R$ 239 milhões só com matchday, soma de bilheteria, camarotes e serviços no estádio, a maior arrecadação estadual com estádio em 2025, segundo dados divulgados nesta semana.
O modelo financeiro do futebol brasileiro é sustentável?
A CBF implementou um plano de fair play financeiro em 2024 que prevê limites de gasto e punições para clubes que descumprirem metas de equilíbrio fiscal. Na prática, porém, a maioria dos grandes clubes ainda opera com despesas superiores às receitas, cobrindo o gap com vendas de atletas, antecipação de direitos de TV e aportes de sócios ou investidores. A tendência do mercado é de pressão crescente por profissionalização da gestão, o que inclui a migração para o modelo SAF, que oferece benefícios fiscais e estrutura corporativa mais rígida.
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Fontes: CNN Brasil, ranking dos clubes mais endividados, ge.globo, balanços financeiros da temporada.