Com bilhões de tentativas de ataques cibernéticos por ano no Brasil, cibersegurança deixou de ser uma área de TI e se tornou prioridade estratégica de negócios — independentemente do tamanho da empresa.
Você conhece alguém que já foi vítima de clonagem de WhatsApp? Já leu sobre uma empresa que sofreu sequestro digital e precisou pagar resgate para recuperar seus dados? As chances de ter respondido sim a pelo menos uma dessas perguntas são altas — e crescem a cada ano.
Segundo a Fortinet, o Brasil lidera o ranking de ataques cibernéticos na América Latina, com bilhões de tentativas registradas anualmente. O país é um dos mais visados do mundo — e a maioria das empresas ainda subestima o risco. Nesta reportagem especial, a Revista Empreende explica o que é cibersegurança, por que ela se tornou pilar estratégico e como empresas de diferentes portes estão se protegendo.
O que é cibersegurança e por que ela importa para qualquer empresa
Cibersegurança é o conjunto de práticas, tecnologias e processos que protegem sistemas, redes e dados contra ataques, acessos não autorizados e danos digitais. Vai muito além de antivírus — envolve cultura organizacional, treinamento de equipes, arquitetura de sistemas e planos de resposta a incidentes.
Para Gustavo Salviano, CTO da Locaweb, a pandemia foi um divisor de águas. “Migramos 800 pessoas para o home office repentinamente. Os maiores desafios foram a instabilidade de internet e energia nas casas dos colaboradores, e principalmente a segurança — porque quando está todo mundo dentro do escritório, você está fechado em um perímetro controlado. Quando foi para casa, isso mudou radicalmente.”
Engenharia social: o ataque mais difícil de bloquear
Tecnologia sofisticada de ataque não é o maior risco. O elo mais fraco, na maioria dos casos, é humano. A engenharia social é a técnica usada para manipular pessoas a revelarem senhas, clicarem em links maliciosos ou transferirem dados confidenciais — sem que percebam.
“As pessoas que não estavam acostumadas a trabalhar remotamente são mais visadas, porque são mais suscetíveis a cair na engenharia social. Por isso, vemos muita tentativa via spam ou via spoofing — quando um cibercriminoso finge ser uma pessoa ou rede conhecida”, explica Salviano.
A resposta da Locaweb foi intensa: campanhas de conscientização, treinamentos frequentes, restrição de acesso por perfil e sistemas de detecção de atividade maliciosa. “Sistemas que fazem detecção de qualquer atividade suspeita e acesso restrito nos equipamentos para garantir que as pessoas só acessem o que precisam” foram algumas das medidas implementadas.
Ransomware: o sequestro digital que paralisa empresas
O ransomware é um tipo de malware que criptografa os arquivos da vítima e exige pagamento — geralmente em criptomoeda — para devolver o acesso. A consultoria IDC já classificou esse tipo de ataque como uma das maiores ameaças globais para empresas.
Casos reais são frequentes no Brasil: hospitais, prefeituras, grandes varejistas e até órgãos do governo federal já foram vítimas. O custo vai além do resgate pago — envolve paralisação de operações, perda de dados, multas por violação de privacidade e danos irreparáveis à reputação.
Cibersegurança no e-commerce e nos pagamentos digitais
Com o crescimento exponencial das vendas online, cada transação se tornou um ponto de vulnerabilidade. Natália Tukoff, então diretora Comercial e Marketing da Yapay, plataforma de pagamentos para e-commerce, explica como fraudadores exploram justamente os períodos de alta demanda.
“O fraudador não é especializado na área, mas tem um estoque para rotacionar mercadorias. Na Black Friday, ele coloca preços que despertam interesse e o cliente se torna vítima perfeita”, alerta. A estratégia: lojas criadas meses antes para acumular avaliações positivas, que são usadas como fachada no pico das promoções.
Como identificar lojas online falsas antes de comprar
- Verifique se o endereço começa com https e se há cadeado de segurança antes da URL
- Confirme se selos como Ebit/Nielsen são clicáveis e redirecionam para o site oficial
- Pesquise o CNPJ da loja no site da Receita Federal
- Leia avaliações no Reclame Aqui — mas com atenção à data das avaliações
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado, especialmente em datas comemorativas
Como estruturar cibersegurança na sua empresa
Independentemente do porte, toda empresa que opera digitalmente precisa de um plano básico de cibersegurança. Os pilares fundamentais são:
- Gestão de acessos — cada colaborador acessa apenas o que precisa para seu trabalho
- Autenticação em dois fatores (2FA) — em todos os sistemas críticos
- Backup regular e offsite — cópias de segurança isoladas da rede principal
- Treinamento contínuo — equipes preparadas para identificar tentativas de phishing e engenharia social
- Plano de resposta a incidentes — o que fazer quando (não se) um ataque acontecer
- Monitoramento e detecção — sistemas que identificam comportamentos anômalos em tempo real
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Perguntas frequentes sobre cibersegurança
O que é cibersegurança em termos simples?
É a proteção de sistemas, redes e dados contra ataques, acessos indevidos e danos digitais. Envolve tecnologia, processos e — especialmente — comportamento humano. A maioria dos ataques bem-sucedidos não explora falhas técnicas, mas sim a ingenuidade ou distração de pessoas.
Quais são os tipos de ataques cibernéticos mais comuns?
Os mais frequentes no Brasil são: phishing (e-mails ou mensagens fraudulentas), ransomware (sequestro de dados), engenharia social (manipulação psicológica), spoofing (falsificação de identidade) e ataques de força bruta (tentativas automáticas de descobrir senhas).
Pequenas empresas também precisam se preocupar com cibersegurança?
Sim — e muitas vezes são os alvos mais fáceis, justamente por não investirem em proteção. Cibercriminosos automatizam varreduras em busca de sistemas vulneráveis, sem distinguir o tamanho da empresa. Uma pequena empresa com dados de clientes, acesso a contas bancárias ou sistemas de pagamento é um alvo tão válido quanto uma grande corporação.
Reportagem original: Revista Empreende | Atualização editorial: Redação Revista Empreende