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Finanças

Crédito para licitações: 3 entraves para fornecedores do governo

02/09/2026 • 09:11

Crédito para licitações: 3 entraves para fornecedores do governo
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Pesquisa do Portal de Compras Públicas aponta que 70% das empresas que participam de licitações precisam de crédito ou antecipação de valores de forma imediata.

A falta de capital de giro é um dos principais obstáculos para empresas que atuam em licitações e fornecem produtos ou serviços ao poder público. Um levantamento do Portal de Compras Públicas, govtech especializada em marketplace de licitações, mostra que 70% dessas organizações consideram o crédito ou a antecipação de valores uma necessidade imediata para conseguirem operar.

O dado revela um desafio relevante para micro e pequenas empresas (MPEs), que representam uma parcela expressiva dos fornecedores do Estado. Embora o mercado de compras públicas movimente cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, vencer uma licitação não significa, necessariamente, ter dinheiro disponível para financiar a entrega do contrato.

Na prática, empresas precisam comprar insumos, pagar equipe, arcar com transporte e recolher tributos antes de receberem pelos produtos ou serviços contratados. Para Leonardo Ladeira, CEO e cofundador do Portal de Compras Públicas, o modelo de crédito convencional ainda não está preparado para as particularidades das vendas B2G, sigla para Business-to-Government.

1. Custos são imediatos, mas pagamento pode levar de 90 a 150 dias

O primeiro entrave está na distância entre a execução do contrato e o pagamento pela administração pública. Após realizar a entrega, o fornecedor pode esperar de 90 a 150 dias para receber o valor devido. Esse intervalo, descrito como “vale de espera”, exige que a empresa mantenha recursos próprios para sustentar toda a operação durante aproximadamente três meses.

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Nesse período, entram na conta o frete de materiais, a aquisição de insumos e matérias-primas, a folha de pagamento dos profissionais envolvidos no contrato e os tributos federais, estaduais e municipais. Mesmo quando a receita já está contabilizada, o caixa ainda não foi efetivamente reforçado, o que pode comprometer a capacidade de atender novos pedidos ou disputar outras oportunidades.

“O problema se agrava porque esse ciclo de pagamento é imprevisível: prazos podem ser estendidos por burocracia interna, falta de empenho orçamentário ou simples lentidão nos processos de liquidação e ordenação de pagamento. Nesse cenário, o crédito tradicional oferecido pelos bancos não se adapta à realidade do fornecedor: as linhas convencionais exigem análises longas, burocracia excessiva e, quando aprovadas, o dinheiro chega em semanas”, afirma Leonardo Ladeira, CEO e cofundador do Portal de Compras Públicas.

Para empresas de menor porte, a demora pode afetar diretamente a execução dos contratos. Sem capital de giro suficiente, o fornecedor fica exposto a atrasos, à redução da margem operacional e, em situações mais críticas, à impossibilidade de cumprir compromissos assumidos com o setor público.

2. Linhas genéricas encarecem o crédito para operações B2G

O segundo ponto é a escassez de produtos financeiros desenhados especificamente para a lógica das compras governamentais. Diante dessa lacuna, fornecedores recorrem a modalidades tradicionais de financiamento, que não consideram fatores como contratos assinados com o Estado, ciclos mais longos de recebimento e o baixo risco de inadimplência associado ao poder público.

Em uma licitação, o preço competitivo é decisivo para a conquista do contrato. Isso tende a reduzir as margens de lucro dos participantes, sobretudo entre pequenas e médias empresas. Quando juros elevados são incorporados à operação, o custo financeiro pode comprometer a rentabilidade e tornar a participação em determinadas concorrências inviável.

“O problema se torna ainda maior quando comparado com outras modalidades de mercado: no B2B, as margens são maiores e os ciclos de pagamento mais curtos, permitindo que o crédito tradicional seja mais viável. No B2G, essa combinação de margens baixas, ciclos longos e crédito caro cria um cenário de inviabilidade econômica para muitos fornecedores, especialmente os pequenos e médios, que não têm caixa robusto para bancar essa operação do próprio bolso”, explica Leonardo.

Enquanto relações B2B, entre empresas, geralmente permitem negociações comerciais mais flexíveis e prazos menores, o fornecimento para o governo segue processos administrativos próprios. Assim, uma linha de crédito que ignore o cronograma de liquidação pública pode não atender à urgência de quem precisa financiar a entrega logo após vencer uma disputa.

3. Garantias físicas limitam o acesso das micro e pequenas empresas

A terceira barreira apontada pelo Portal de Compras Públicas é a exigência de garantias físicas. Bancos tradicionais, segundo a empresa, ainda demonstram dificuldade para tratar contratos públicos como ativos financeiros confiáveis na análise de crédito. Com isso, a operação pode depender da alienação de veículos, imóveis, terrenos, prédios ou outros bens da companhia.

Esse modelo cria uma diferença entre a capacidade de executar um contrato e o patrimônio exigido para financiar a execução. Ainda que o fornecedor tenha uma contratação com o Estado, pode não dispor de carros, caminhões ou imóveis em valor suficiente para oferecer como garantia. Caso não consiga pagar o crédito, o bem alienado pode ser tomado pela instituição financeira.

“Essa prática cria uma barreira de acesso significativa: o fornecedor precisa ter patrimônio robusto para conseguir financiamento, mesmo tendo um contrato público garantido. Pela nossa prática, observamos que o mercado de licitações é composto majoritariamente por micro e pequenas empresas que, por definição, não possuem esse lastro patrimonial significativo. MPEs frequentemente operam com patrimônio mínimo, focando recursos em operação e não em acumulação de bens”, alerta o executivo.

O efeito, de acordo com a análise, é um ciclo de exclusão. Sem crédito para cobrir o “vale de espera”, as MPEs enfrentam dificuldade para assumir contratos maiores. Sem executar projetos de maior porte, também têm menos condições de ampliar patrimônio e atender às exigências tradicionais de garantia.

“A exigência de garantia física é praticamente inexequível para estes negócios, pois não têm veículos de valor relevante além dos operacionais, nem imóveis próprios para alienar. Por isso, soluções que desburocratizam essa jornada têm ganhado destaque neste segmento”, conclui o executivo.

Portal de Compras Públicas transacionou mais de R$ 100 bilhões em 2025

O Portal de Compras Públicas atua na aproximação entre empresas e setor público por meio de um marketplace de licitações. A companhia informa que transacionou, em 2025, mais de R$ 100 bilhões e busca ampliar a eficiência e a transparência nas compras governamentais.

A govtech também realiza anualmente o evento Grandes Nomes em Compras Públicas, atualmente em sua 9ª edição. Ao longo de oito edições, a iniciativa já reuniu mais de 30 mil participantes e alcançou cerca de 600 mil pessoas no ambiente digital.

Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido por Ivan Netto e não é de responsabilidade editorial da revistaempreende.com.br.