Fabricantes chinesas concentram 73% do uso global de baterias em veículos eletrificados
Ilustração gerada por IA / Revista Empreende
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As fabricantes chinesas ampliaram sua participação no uso global de baterias para veículos eletrificados nos nove primeiros meses de 2026. Segundo o levantamento da SNE Research, sete empresas do país entre as dez maiores responderam por 73,0% do total, ante 69,5% um ano antes. O indicador soma a capacidade energética das baterias instaladas em veículos registrados no mundo, e não receita, vendas de células ou capacidade fabril anunciada.
O uso mundial alcançou 994,5 GWh entre janeiro e setembro, alta de 19,7% sobre os 830,7 GWh do mesmo período de 2025. A medição inclui veículos elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais, mas não representa todo o mercado de baterias, pois deixa de fora aplicações como sistemas estacionários de armazenamento. A concentração chinesa avançou 3,5 pontos percentuais em um ano.
CATL amplia vantagem enquanto BYD perde participação
A CATL permaneceu isolada na liderança, com 389,2 GWh instalados, crescimento anual de 24,9% e participação de 39,1%. Um ano antes, detinha 37,5%. Como avançou mais rapidamente que o mercado, a fabricante ganhou 1,6 ponto percentual. Os resultados da CATL no terceiro trimestre de 2026 oferecem uma leitura financeira complementar, mas não devem ser confundidos com o indicador operacional da SNE Research.
A BYD ocupou o segundo lugar, com 150,9 GWh. Seu volume cresceu 7,4%, mas a participação recuou de 16,9% para 15,2%, perda de 1,7 ponto percentual. A diferença mostra que uma empresa pode ampliar o uso absoluto de suas baterias e, simultaneamente, perder espaço quando o mercado cresce mais depressa. Os resultados da BYD no terceiro trimestre tratam de receita e lucro, métricas distintas deste ranking.
Somadas, CATL e BYD alcançaram 540,1 GWh e 54,3% do uso mundial, praticamente o mesmo percentual dos 54,4% registrados um ano antes. A estabilidade conjunta esconde uma redistribuição entre as líderes: a CATL ganhou participação enquanto a BYD recuou. Para compradores e parceiros, essa assimetria indica que escala chinesa não significa estratégia comercial uniforme ou exposição idêntica a clientes, regiões e canais de venda.
Fabricantes menores avançam no ranking
A expansão mais acelerada ocorreu entre fabricantes abaixo das duas primeiras posições. A Gotion High-tech cresceu 48,1%, para 50,3 GWh, e ultrapassou por pequena margem a CALB, que registrou 50,1 GWh após avanço de 27,1%. A EVE Energy aumentou seu volume em 60,4%, para 36,0 GWh, superando a Panasonic e alcançando a sexta posição do ranking mundial.
A SVOLT chegou a 25,7 GWh, alta de 37,9%, enquanto a REPT Battero mais que dobrou seu volume, com crescimento de 118,7% e 24,2 GWh. A REPT preservou o décimo lugar com vantagem de 1,2 GWh sobre a Sunwoda, que somou 23,0 GWh. Os percentuais elevados partem de bases menores, mas mostram que a presença chinesa no grupo das dez maiores não depende apenas de CATL e BYD.
Mercado externo diferencia as estratégias
A SNE Research relaciona o desempenho superior da CATL à ampliação de sua base de clientes entre montadoras no exterior. A BYD permanece mais vinculada às vendas dos próprios veículos. Fora da China, o uso de baterias da BYD cresceu 66,8%, de 27,5 GWh para 45,9 GWh. No mercado chinês, caiu 7,1%, de 112,9 GWh para 104,9 GWh, em meio à redução das vendas domésticas de seus veículos eletrificados.
Setembro reforçou a escala do setor, mas trouxe um sinal de moderação no ritmo anual. O uso mensal atingiu o recorde de 145,1 GWh, enquanto o crescimento sobre setembro de 2025 desacelerou para 15,8%, depois de 18,3% em agosto. No acumulado de nove meses, a expansão foi de 19,7%. Isso não representa retração, mas exige cautela ao projetar demanda, estoques e contratação de capacidade.
O que a concentração representa para o Brasil
Para empresas brasileiras, o ranking oferece uma referência sobre a estrutura internacional de fornecimento que sustenta os veículos eletrificados. A operação do complexo da BYD em Camaçari aproxima o tema de negócios ligados a componentes, logística, energia, manutenção e reciclagem, mas não comprova contratação local em nenhum desses segmentos. O levantamento não informa preços, contratos, conteúdo nacional ou condições de fornecimento no Brasil, que precisam ser analisados separadamente em cada projeto.
A participação de 73,0% não prova falta de alternativas, mas aumenta a relevância de decisões tomadas por fabricantes sediadas no mesmo país. Para gestores brasileiros, isso reforça a necessidade de mapear o fornecedor de cada bateria, a química utilizada, a dependência de uma única plataforma e as condições de transporte, manutenção, reposição e reciclagem. O indicador também ajuda a distinguir liderança global de compromissos comerciais específicos no mercado brasileiro.
Na prática, o ranking pode servir como ponto de partida para avaliações de compras, parcerias e riscos, sem substituir a análise contratual. Empresas expostas à eletrificação devem observar garantias, rastreabilidade, assistência técnica, disponibilidade de peças, normas de segurança e responsabilidades pelo fim da vida útil. Esses fatores podem variar por modelo, fornecedor e território, mesmo quando as baterias pertencem a grupos que lideram o levantamento mundial.