Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar produtividade das empresas

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Possível votação no Senado sobre jornada máxima de 40 horas semanais coloca escalas, contratação, tecnologia e negociações coletivas no centro do planejamento empresarial.
O fim da escala 6×1 pode ser votado nesta quarta-feira (2) no Senado e recoloca no centro do debate os efeitos de uma possível redução da jornada de trabalho sobre a operação das empresas brasileiras. A proposta em discussão prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.
Para o setor produtivo, a medida envolve mais do que diminuir os dias trabalhados. Com menos horas disponíveis e a remuneração preservada, o custo relativo da mão de obra tende a aumentar. Na prática, empresas poderão ter de rever escalas, ampliar equipes, reorganizar turnos, administrar horas extras e buscar ganhos de eficiência para manter a capacidade de atendimento e produção.
O tema é especialmente sensível para negócios com funcionamento contínuo, trabalho aos finais de semana ou forte dependência de atendimento presencial, como varejo, serviços, logística, saúde e alimentação. A discussão também ocorre em meio a debates sobre transformação operacional no comércio, como os abordados no futuro do varejo.
Simulação aponta pressão sobre margem EBITDA
Um estudo da Confirp Contabilidade simulou os possíveis reflexos da alteração em uma empresa hipotética do Simples Nacional. Considerando receita bruta anual de R$ 50 milhões, a análise compara uma operação atual em escala 6×1 com um cenário futuro de 5×2, mantendo a mesma receita e os demais custos operacionais.
No cenário atual, a empresa teria R$ 4 milhões de folha de pagamento, equivalentes a 8% da receita, além de R$ 500 mil em benefícios e R$ 100 mil em medicina e treinamentos. Nessa configuração, o EBITDA alcançaria R$ 3,5 milhões, o equivalente a 7% da receita.
Na projeção de uma escala 5×2, a folha de pagamento avançaria para R$ 4,9 milhões. Os benefícios passariam para R$ 650 mil, enquanto os gastos com medicina e treinamentos subiriam para R$ 180 mil. Como resultado, o EBITDA recuaria para R$ 2,37 milhões, e a margem cairia de 7% para 4,7%, redução de 2,3 pontos percentuais.
Em valores absolutos, a simulação aponta aumento de R$ 900 mil na folha, de R$ 150 mil nos benefícios e de R$ 80 mil em medicina e treinamentos. Já o EBITDA teria queda de R$ 1,13 mi. No quadro comparativo, a receita bruta permanece em R$ 50,0 mi tanto na escala 6×1 atual quanto na projeção 5×2 futura.
A Confirp ressalta que a análise não representa necessariamente o impacto para todas as empresas, já que setores, convenções coletivas, composição das equipes e níveis de automação variam. Ainda assim, o exercício mostra como mudanças na jornada podem afetar diretamente custos e rentabilidade quando não são acompanhadas por ganhos de produtividade suficientes para compensar despesas adicionais.
Empresas devem mapear funções e escalas
Para Daniel Santos, gerente Trabalhista Outsourcing da Confirp Contabilidade, o planejamento deve começar antes de uma definição legislativa. “Cada empresa precisa mapear sua operação, entender quais funções dependem de cobertura contínua e calcular como diferentes modelos de jornada afetariam a estrutura de pessoal. A redução da jornada interfere diretamente no dimensionamento das equipes e na organização do trabalho”, afirma.
Esse diagnóstico envolve levantar quais áreas dependem de presença física, identificar postos que exigem cobertura por turnos e calcular eventuais necessidades de contratação. Também é necessário avaliar a utilização de banco de horas, o volume de horas extras, a disponibilidade de profissionais no mercado e os impactos de uma nova escala sobre treinamento, encargos e benefícios.
Para empresas menores, a revisão pode ser ainda mais relevante, pois margens apertadas e equipes enxutas reduzem a capacidade de absorver elevação de despesas. Negócios que trabalham com operação extensa ou atendimento diário podem enfrentar maior complexidade para preservar níveis de serviço sem transferir parte dos custos aos preços finais.
Tecnologia e processos ganham relevância
A necessidade de manter a produção e o atendimento com menos horas disponíveis pode acelerar investimentos em automação, sistemas de gestão, inteligência artificial e revisão de processos. A eliminação de tarefas repetitivas e de etapas que não agregam valor pode ajudar organizações a produzir mais sem que a resposta imediata seja apenas contratar novos profissionais.
Para Carlos Junior, diretor de Outsourcing da Confirp, a discussão deve ser tratada como uma oportunidade de transformação operacional. “Antes de simplesmente contratar mais pessoas, a empresa precisa analisar seus processos, eliminar etapas desnecessárias e identificar onde pode ganhar eficiência. A redução da jornada pode representar um custo adicional, mas também pode acelerar uma transformação que aumente a produtividade”, explica.
A adoção de recursos tecnológicos, contudo, exige investimento, capacitação e uma análise adequada da realidade de cada negócio. Processos automatizáveis, indicadores de produtividade, gestão de jornada e comunicação entre áreas são pontos que podem determinar se a redução de horas resultará em perda operacional ou em uma adaptação sustentável.
Negociação coletiva e análise jurídica serão decisivas
Outro fator relevante será o papel das negociações coletivas. Questões como turnos, intervalos, banco de horas, funcionamento aos finais de semana e modelos de escala dependem das regras legais e das normas aplicáveis a cada categoria. Por isso, alterações internas feitas sem avaliação técnica podem aumentar riscos trabalhistas.
Para Mourival Ribeiro, advogado trabalhista e sócio da Boaventura Ribeiro Advogados, as empresas precisam acompanhar esse ambiente de perto. “Os sindicatos terão papel importante na definição de aspectos relacionados à jornada, banco de horas, escalas, turnos e intervalos. Por isso, a empresa precisa acompanhar as negociações e evitar mudanças feitas sem uma análise jurídica adequada”, afirma.
A conta da eventual mudança, portanto, não se limita à folha de pagamento. Ela inclui contratação, encargos, benefícios, treinamento, horas extras, capacidade operacional, tecnologia, produtividade e possível impacto na precificação. Para referência sobre o material divulgado pela assessoria, consulte a fonte disponibilizada.
Segundo Daniel Santos, a preparação por cenários é a medida mais prudente, independentemente do resultado da votação. “Não é preciso esperar a aprovação definitiva para começar a fazer cenários. A empresa que conhece sua estrutura de custos, sua produtividade e suas necessidades de pessoal consegue tomar decisões com muito mais segurança quando o ambiente regulatório muda”, conclui.
Mais do que uma discussão sobre a escala de trabalho, o possível fim da 6×1 pode impulsionar mudanças na organização de pessoas, processos e tecnologia. O desafio das empresas será equilibrar redução da jornada, qualidade de vida, custos e competitividade em um ambiente regulatório que poderá exigir adaptações rápidas.
Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido por Paulo Fabrício Ucelli – Assessoria de Imprensa da Confirp Contabilidade e não é de responsabilidade editorial da revistaempreende.com.br.