Fundos de private equity estão ampliando o uso de recapitalizações de dividendos, operação em que empresas investidas assumem novas dívidas para distribuir recursos aos investidores. Segundo a Moody’s Ratings, essa atividade cresceu desde 2022 e deve permanecer elevada na Europa, no Oriente Médio e na África, enquanto ofertas públicas iniciais e vendas de participações seguem reduzidas. A agência estima que companhias controladas por private equity na região poderiam captar mais € 41 bilhões em dívida antes de alcançar níveis de alavancagem que normalmente provocam rebaixamentos. Até agora, as operações têm se concentrado nas empresas de melhor desempenho e maior capacidade financeira. A prática, porém, não resolve o estoque de saídas pendentes e pode limitar investimentos ou a resistência das companhias em futuras desacelerações.
Principais fatos e números
- A Moody’s estima capacidade adicional de € 41 bilhões em dívida entre empresas de private equity na região EMEA.
- As recapitalizações de dividendos aumentaram desde 2022.
- Serviços, produtos de consumo e manufatura estão entre os setores mais ativos.
- As operações têm sido direcionadas principalmente a empresas com desempenho acima dos planos originais.
- Fundos estão mantendo empresas por períodos superiores ao ciclo típico de cinco a seis anos.
- A Moody’s espera que a atividade permaneça elevada enquanto IPOs e vendas de empresas seguirem enfraquecidos.
Por que isso importa para empresários e investidores
A recapitalização de dividendos oferece aos fundos uma forma de devolver capital sem vender ativos em condições desfavoráveis. Para credores e potenciais compradores, porém, a dívida adicional exige atenção à geração de caixa, aos investimentos necessários e à capacidade de enfrentar uma desaceleração. Empresas com desempenho robusto podem acessar esse instrumento sem alterar materialmente suas perspectivas de saída, segundo a Moody’s, mas uma expansão para ativos mais frágeis elevaria o risco de crédito. A capacidade estimada de € 41 bilhões não representa dívida já contratada, e seu uso dependerá das condições de mercado e da disciplina dos patrocinadores.
