Exportadores da Nova Zelândia estão direcionando a outros mercados parte dos produtos originalmente destinados à China, informou Karen Silk, vice-presidente do banco central neozelandês, à CNBC. A mudança ocorre com o enfraquecimento da demanda no maior parceiro comercial do país, responsável por cerca de um quarto das exportações neozelandesas nos 12 meses encerrados em julho. O movimento é particularmente relevante para o setor de laticínios: a Nova Zelândia fornece mais da metade das importações chinesas desses produtos. Silk afirmou ainda que preços globais elevados de commodities podem favorecer produtores neozelandeses baseados em pastagens. Paralelamente, o Reserve Bank of New Zealand elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 2,75%, e indicou que outro aumento pode ocorrer até o fim do ano.
Principais fatos e números
- A China comprou cerca de 25% das exportações neozelandesas nos 12 meses até julho.
- Em 2025, as vendas à China ficaram perto do dobro das destinadas, em conjunto, aos EUA e à Austrália.
- A Nova Zelândia fornece mais da metade das importações chinesas de laticínios.
- O comércio bilateral opera sob um acordo vigente desde 2008.
- Todos os laticínios neozelandeses obtiveram acesso sem tarifas à China em 2024.
- O banco central elevou a taxa básica para 2,75%.
Por que isso importa para empresários e investidores
A diversificação pode abrir espaço para distribuidores, operadores logísticos e compradores de alimentos em mercados alternativos, sobretudo no segmento de laticínios. Para exportadores, porém, substituir um destino que absorve aproximadamente um quarto das vendas externas exige capacidade comercial, canais de distribuição e preços competitivos. Custos globais elevados podem beneficiar relativamente a produção neozelandesa baseada em pastagens, mas também pressionar transporte e demanda. Além disso, juros domésticos maiores encarecem o crédito. A fonte não identifica quais mercados receberão os volumes redirecionados nem informa a dimensão dessa transferência, o que limita projeções sobre receitas e margens.
