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Empresas

PIB dos EUA cresce 3,4% e Flórida atrai empresas brasileiras

03/11/2026 • 18:25

Busy Miami beach with colorful umbrellas, swimmers, palm trees, and city skylineFoto: Divulgação/Bicalho Consultoria Legal
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Expansão da economia americana, mercado consumidor da Flórida e presença de negócios brasileiros reforçam o debate sobre internacionalização com planejamento.

O Produto Interno Bruto real dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre de 2026, em ritmo anualizado, acima dos 2,2% registrados no trimestre anterior. A estimativa preliminar do Bureau of Economic Analysis, o BEA, divulgada em 29 de outubro, aponta contribuições positivas de investimentos, consumo e gastos governamentais. A queda das exportações compensou parcialmente esses avanços, enquanto as importações aumentaram.

O resultado amplia o conjunto de indicadores considerados por empresas brasileiras que estudam entrar no mercado americano. Na Flórida, o PIB real avançou aproximadamente 3% no segundo trimestre, também em ritmo anualizado. O estado ainda registrou, em 2025, crescimento de 7% no consumo em valores correntes, diante de uma média nacional de 5,3%, liderando a alta entre os estados.

Os números medem aspectos diferentes da atividade. O PIB real desconta o efeito dos preços, enquanto a variação do consumo em valores correntes inclui esse componente. Além disso, uma taxa trimestral anualizada representa o ritmo de expansão projetado para um ano caso a velocidade do trimestre se mantivesse. O dado de 3,4% é uma estimativa inicial, e a próxima divulgação do BEA está programada para 25 de novembro.

Por que a Flórida entra no radar de empresas brasileiras

Renato Alves de Oliveira, diretor de Expansão e Negócios da Bicalho Consultoria Legal e idealizador da Be International, avalia que a combinação de demanda, capacidade de consumo e conexões comerciais torna a Flórida um mercado relevante para quem já planeja a internacionalização. Ele acrescenta que a comunidade brasileira pode facilitar relacionamentos iniciais e a adaptação ao ambiente local.

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A presença de brasileiros é expressiva: 23% dos imigrantes nascidos no Brasil que vivem nos Estados Unidos estão na Flórida. A proporção equivale a quase um em cada quatro e aparece em levantamento do Migration Policy Institute baseado no American Community Survey, realizado pelo Census Bureau.

O estudo sobre imigrantes brasileiros nos Estados Unidos estima essa população em cerca de 725 mil pessoas em 2024. Desde 2010, o contingente cresceu 114%, enquanto a população estrangeira total avançou 26%. Broward, Orange, Miami-Dade e Palm Beach estão entre os cinco condados americanos com mais imigrantes brasileiros; Orlando ocupa a quarta posição entre as regiões metropolitanas nessa comparação.

Essa concentração cria pontos de contato para quem busca parceiros, clientes e conhecimento sobre o mercado. Na análise de Oliveira, as conexões ajudam na implantação, mas a expansão precisa partir de uma leitura cuidadosa do setor, do público e da estrutura adequada para operar nos Estados Unidos.

Economia de US$ 1,8 trilhão e presença produtiva

A economia da Flórida movimentou aproximadamente US$ 1,81 trilhão em 2025. Em julho de 2026, a Florida Chamber Foundation classificou o estado como a 14ª maior economia do mundo, em uma comparação com países. A instituição apontou a superação de Austrália e México e relacionou o avanço à sua meta de chegar às dez maiores economias até 2030.

O interesse brasileiro também aparece nos investimentos produtivos. Um mapeamento da Confederação Nacional da Indústria, divulgado em julho de 2025, identificou ao menos 70 empresas brasileiras com investimentos produtivos em 23 estados americanos. A Flórida liderou em número de empresas com plantas produtivas, com 12, seguida pela Geórgia, com sete.

O estoque de investimentos brasileiros nos Estados Unidos alcançou US$ 22,1 bilhões em 2024, alta de 52,3% em relação a 2014. O levantamento da CNI também contabiliza 2.962 empresas brasileiras com diferentes modalidades de investimento no país. Esse universo é mais amplo do que o grupo das companhias com unidades produtivas e não deve ser confundido com ele.

Entre 2013 e 2023, foram registrados 142 projetos brasileiros de implantação de novas operações produtivas, conhecidos como investimentos greenfield. Empresas brasileiras também executaram 65 projetos vinculados ao SelectUSA, programa do governo americano de atração de investimentos, somando mais de US$ 1 bilhão e mais de 2,5 mil empregos diretos.

Nos investimentos brasileiros mapeados, alimentos e bebidas responderam por 22,8%; plásticos, por 12,4%; produtos de consumo, por 9,8%; software e serviços de tecnologia da informação, por 9,6%; e metais, por 9,3%. O perfil mostra uma presença distribuída entre indústria, bens de consumo e atividades tecnológicas.

Franquias levam modelos estruturados ao exterior

O setor de franquias é outra frente dessa expansão. Dados da Associação Brasileira de Franchising apontam os Estados Unidos como o segundo principal destino das redes brasileiras no exterior, com 66 marcas e 307 operações. Em 2026, uma missão da ABF com a ApexBrasil levou 11 redes a Miami e Fort Lauderdale, com expectativa de gerar mais de US$ 7 milhões em negócios.

Para Oliveira, a franquia chega ao exterior com a vantagem de contar com processos definidos e um modelo de negócio organizado. A implantação, porém, exige adaptar o conceito aos hábitos do consumidor e às características locais. O desempenho de uma marca no Brasil, por si só, não substitui essa preparação para um novo mercado.

A internacionalização pode diversificar a carteira de clientes e criar receitas em dólar. A presença de empreendedores brasileiros em atividades como tecnologia e serviços já produz casos como o da proptech criada por Natalie Geller nos Estados Unidos. A escolha do formato de entrada deve considerar a estrutura de cada empresa e o público que pretende alcançar.

Planejamento para transformar expansão em operação

Oliveira atua na articulação de negócios entre Brasil, Estados Unidos e Portugal e é CEO da Be International. Bacharel em Administração de Empresas no Brasil e mestrando pela Florida Christian University, ele tem experiência na estruturação de modelos de entrada, parcerias estratégicas e governança de expansão. Também integra a International Christian Chamber of Commerce e o C12 Brasil.

A Bicalho Consultoria Legal mantém escritórios nos três países e atende empresas, empreendedores e profissionais em temas migratórios, empresariais, tributários, trabalhistas e patrimoniais. Na avaliação do executivo, o planejamento deve conectar o potencial de consumo à capacidade efetiva de implantação, para que o projeto de internacionalização se converta em uma operação consistente.

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