The RealReal atinge GMV recorde de US$ 642 milhões e eleva projeções

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A The RealReal encerrou o terceiro trimestre de 2026 com recordes históricos de volume bruto de mercadorias, receita e pedidos. No período terminado em 30 de setembro, o GMV alcançou US$ 642 milhões, 23% acima de um ano antes, enquanto a receita cresceu 19%, para US$ 206 milhões, conforme os resultados do terceiro trimestre divulgados em 29 de outubro.
A base de compradores ativos nos 12 meses anteriores chegou a 1,152 milhão, aumento anual de 13%. A companhia processou 1,02 milhão de pedidos no trimestre, 15% mais que no mesmo período de 2025 e seu crescimento mais forte nesse indicador desde 2022. O valor médio por pedido subiu 8%, para US$ 629.
Mais compradores e tíquetes maiores
O avanço simultâneo dos indicadores dimensiona o crescimento da plataforma de revenda de luxo. O GMV, que representa o valor bruto das mercadorias negociadas, aumentou em ritmo superior ao da receita. Os recordes de pedidos, compradores ativos e valor médio mostram que a expansão não ficou concentrada em uma única medida operacional divulgada pela companhia.
Os números confirmam que mais compradores utilizaram a The RealReal, mas não bastam para medir uma mudança de comportamento em todo o mercado secundário. Também não permitem calcular diretamente a frequência individual de compras, pois o total de pedidos corresponde ao trimestre, enquanto a base de compradores ativos considera os 12 meses anteriores.
Um contraste dentro do mercado de luxo
O desempenho contrasta com os resultados mais moderados de alguns grupos tradicionais, embora os modelos de negócio não sejam diretamente comparáveis. A LVMH registrou crescimento orgânico de 1% no terceiro trimestre, enquanto moda e couro caíram 5% organicamente. Na The RealReal, o volume negociado avançou 23% sobre o mesmo trimestre de 2025.
A comparação também se conecta ao debate sobre a revisão dos preços do mercado de luxo. Os indicadores destacados pela The RealReal, porém, não oferecem uma decomposição capaz de atribuir o crescimento a preços, variedade, disponibilidade de produtos ou outras causas específicas. O resultado demonstra expansão da plataforma, sem provar sozinho uma transformação de todo o setor.
Margens melhoram, mas lucro pede cautela
A rentabilidade operacional também avançou. O lucro bruto atingiu US$ 154 milhões e a margem bruta chegou a 74,9%, aumento de 0,64 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025. O EBITDA ajustado foi de US$ 17 milhões, com margem de 8,3%, ante 5,4% no mesmo período do ano anterior.
O lucro líquido contábil de US$ 16 milhões requer leitura cuidadosa. O resultado incluiu um ajuste positivo não monetário de US$ 21,2 milhões decorrente da mudança no valor justo de passivos relacionados a warrants. Em comparação, o lucro operacional foi de US$ 1,472 milhão, mostrando que o resultado líquido foi materialmente favorecido pelo efeito contábil.
Nos primeiros nove meses de 2026, a receita acumulada somou US$ 588,402 milhões. A companhia encerrou 30 de setembro com US$ 130,405 milhões em caixa e equivalentes, antes da operação de refinanciamento realizada em outubro. Parte do caixa próprio foi posteriormente usada no resgate das notas garantidas de 2029, mas o valor empregado não foi especificado.
Projeções maiores e dívida garantida
Após o trimestre recorde, a The RealReal elevou suas projeções para 2026. A nova faixa de GMV ficou entre US$ 2,585 bilhões e US$ 2,600 bilhões. A receita esperada passou para US$ 806 milhões a US$ 810 milhões, enquanto a estimativa de EBITDA ajustado foi ampliada para US$ 71,1 milhões a US$ 72,6 milhões.
Em 9 de outubro, a empresa firmou um acordo para um empréstimo garantido de US$ 150 milhões e uma linha rotativa de US$ 25 milhões. O empréstimo foi tomado em 19 de outubro, enquanto a linha rotativa permanecia sem utilização na data do relatório trimestral. A taxa inicial corresponde à Term SOFR ajustada acrescida de 5,75% ao ano, sujeita ao nível de alavancagem.
Os financiamentos têm garantia prioritária sobre praticamente todos os ativos da empresa, sujeitos às exceções previstas no contrato. Há ainda exigência de pelo menos US$ 25 milhões em liquidez ao fim de cada trimestre, começando no primeiro trimestre fiscal completo após a contratação. O vencimento previsto é 19 de outubro de 2033, mas pode ser antecipado caso permaneçam ao menos US$ 25 milhões das notas conversíveis de 2031 perto de seu vencimento.
Os recursos do empréstimo, juntamente com caixa próprio, resgataram integralmente as notas garantidas de 2029. A operação eliminou essa obrigação específica e estendeu o perfil de vencimentos, mas manteve custos financeiros, garantias e cláusulas contratuais. Como a companhia afirma que perdas operacionais podem continuar no futuro previsível, o desafio será converter a expansão comercial em resultados recorrentes suficientes para sustentar suas obrigações.