Recentes
Jônatas Faro desiste de A Fazenda 18• Disney+ reduz preços de três planos por dois meses no Brasil• Tecnologia personaliza monitoramento de pacientes• LUX renova linha de sabonetes líquidos com novas fragrâncias• Seminário de Economia da Cultura mobiliza Paracatu (MG)• Hospital Caieiras recebe R$ 3,7 mi e amplia UTI• Grupo Zelo detalha opções de despedida para pets• Pisos Elevados Brasil palestra em workshop da Petrobras• Filtrify ultrapassa R$ 160 milhões em vendas em três anos• Fim da escala 6×1 pressiona custos e escalas do varejo• Jônatas Faro desiste de A Fazenda 18• Disney+ reduz preços de três planos por dois meses no Brasil• Tecnologia personaliza monitoramento de pacientes• LUX renova linha de sabonetes líquidos com novas fragrâncias• Seminário de Economia da Cultura mobiliza Paracatu (MG)• Hospital Caieiras recebe R$ 3,7 mi e amplia UTI• Grupo Zelo detalha opções de despedida para pets• Pisos Elevados Brasil palestra em workshop da Petrobras• Filtrify ultrapassa R$ 160 milhões em vendas em três anos• Fim da escala 6×1 pressiona custos e escalas do varejo• Jônatas Faro desiste de A Fazenda 18• Disney+ reduz preços de três planos por dois meses no Brasil• Tecnologia personaliza monitoramento de pacientes• LUX renova linha de sabonetes líquidos com novas fragrâncias• Seminário de Economia da Cultura mobiliza Paracatu (MG)• Hospital Caieiras recebe R$ 3,7 mi e amplia UTI• Grupo Zelo detalha opções de despedida para pets• Pisos Elevados Brasil palestra em workshop da Petrobras• Filtrify ultrapassa R$ 160 milhões em vendas em três anos• Fim da escala 6×1 pressiona custos e escalas do varejo• Jônatas Faro desiste de A Fazenda 18• Disney+ reduz preços de três planos por dois meses no Brasil• Tecnologia personaliza monitoramento de pacientes• LUX renova linha de sabonetes líquidos com novas fragrâncias• Seminário de Economia da Cultura mobiliza Paracatu (MG)• Hospital Caieiras recebe R$ 3,7 mi e amplia UTI• Grupo Zelo detalha opções de despedida para pets• Pisos Elevados Brasil palestra em workshop da Petrobras• Filtrify ultrapassa R$ 160 milhões em vendas em três anos• Fim da escala 6×1 pressiona custos e escalas do varejo•
Destaque

Vamos Falar sobre Dinheiro?

18/03/2020 • 15:18

Ouvir materia voz de IA no navegador
Arquivo Pexels

Para o especialista em educação financeira Eduardo Amuri, precisamos incluir o dinheiro nas conversas do dia a dia para poder entendê-lo melhor

Você tem dinheiro sobrando ou sente falta dele? Seja qual for a sua situação, tem o costume de conversar sobre finanças com os familiares, na mesa de jantar, ou com os amigos, na mesa do bar? Pois esta familiaridade com o tema, de acordo com o especialista em educação financeira Eduardo Amuri, pode fazer toda a diferença no trato com o dinheiro, para quem está tranquilo em relação a ele ou chega a perder o sono pensando em como alcançá-lo.

“O dinheiro perpassa todas as áreas de nossa vida e é uma loucura a gente não falar sobre ele, pois quando falamos sobre um assunto com frequência, aprendemos sobre este assunto de maneira rápida e fácil, mas se a gente deixa esse assunto de lado, deixa de falar sobre, com certeza ele vai ganhando esse aspecto meio mítico, meio maluco, que ninguém entende muito bem como é que funciona”, defende Amuri, colunista do jornal Valor Econômico e autor dos livros “Dinheiro sem Medo” e “Finanças para Autônomos”.

Publicidade
Eduardo Amuri – divulgação

Empreende – Como você se interessou pela educação financeira, como isso surgiu em sua caminhada profissional?
Eduardo Amuri – Sou formado em Ciência da Computação, trabalhava na área, e em um determinado momento percebi que não queria trabalhar com desenvolvimento de software, eu queria trabalhar diretamente com pessoas, e então busquei coisas que eu achava que fazia bem e poderia oferecer para os outros. Há nove anos me interessei pela psicologia econômica e como utilizar descobertas de pesquisas, que no geral vêm com uma linguagem acadêmica, na nossa vida prática, como fazer a ponte entre a psicologia econômica e a economia comportamental para a nossa vida. Começou de uma maneira muito informal, oferecendo para os amigos, eu experimentava com eles coisas que funcionavam para mim, e aí eu vi que isso funcionava para eles também, então a coisa evoluiu, um amigo foi indicando para o outro e em pouco tempo, menos de um ano, talvez, eu estava atendendo pessoas que eu não conhecia e começou a fazer sentido cobrar por este atendimento.

Empreende – Hoje, como são formatados seus projetos de atendimento em educação financeira?
Amuri – Meu trabalho vai tomando corpo nas mais diversas formas, passam por textos, publicados quinzenalmente no Valor, o site (www.amuri.com.br) onde publico muito conteúdo relacionado a inteligência financeira, os dois livros que lancei nos últimos dois anos pela editora Saraiva, e minha principal aposta hoje, em termos de escala, de produtividade, são dois programas de acompanhamento, que funcionam 100% on-line, bem individualizados e pensados de maneira contínua. Acredito muito que se a gente deseja provocar um impacto significativo em nossa vida financeira, é preciso fazer uma aposta em processos mais contínuos, não acredito em uma única palestra, numa aula que vai mudar a vida financeira de alguém.

Empreende – Como ensinar alguém a lidar com o próprio dinheiro?
Amuri – A principal mudança, capaz de gerar o maior impacto e alterar da maneira mais drástica possível a maneira como alguém lida com o dinheiro, se relaciona com o dinheiro, é falar sobre ele. O dinheiro hoje é um grande tabu, temos vergonha, ele é um assunto sujo, ele é um assunto que não se deve falar, ele é um assunto velado e isso é uma das causas desse estigma que o dinheiro tem. Por conta desse tabu, passamos a acreditar que não é um assunto do nosso dia a dia, que não é um assunto importante, que é um assunto somente para gente rica, para quem é muito bom com números, mas não tem nada disso, na verdade o dinheiro perpassa todas as áreas de nossa vida e é uma loucura a gente não falar sobre ele, pois quando falamos sobre um assunto com frequência, aprendemos sobre este assunto de maneira rápida e fácil, mas se a gente deixa esse assunto de lado, deixa de falar sobre, com certeza ele vai ganhando esse aspecto meio mítico, meio maluco, que ninguém entende muito bem como é que funciona. Um negócio meio de gente engravatada, gente do banco e tudo mais, então quando colocamos o assunto na mesa, ganhamos a chance de aprender muito facilmente sobre ele, e isso costuma ser muito bom.

Empreende – Você acredita que se joga muita responsabilidade sobre o indivíduo na questão do dinheiro, de como ele é usado? Como ficam as questões sociais nesta história, como baixos salários, juros abusivos, o poder da propaganda?
Amuri– A educação financeira é importantíssima, é vital para o bom funcionamento de uma sociedade, mas ela sozinha não vai resolver todas as mazelas sociais que a gente enfrenta, e é uma desculpa muito cômoda, é um posicionamento muito confortável para quem tem uma posição muito privilegiada. É muito cômodo falar que o pobre segue pobre porque não tem educação financeira. Isso é uma grande mentira, é uma falácia sem fim. Para o governo também é muito confortável falar que o pobre está lá porque não sabe gerir o dinheiro, ele não guarda o dinheiro dele e tudo mais. Com certeza não vamos resolver todos os problemas do país com educação financeira, seria muito bom se de fato o que faltasse fosse apenas isso, meu Deus, a gente estaria muito bem! Mas, com certeza, uma mudança estrutural, significativa, profunda, na nossa sociedade, auxiliaria a educação financeira como ferramenta, entre tantas outras.

Empreende – O Brasil vê aumentar, dia a dia, o número de pessoas levadas a uma carreira autônoma. Quais devem ser as principais preocupações deste perfil de trabalhador quando o assunto é o dinheiro?
Amuri – Estamos enfrentando um processo de sucateamento das condições de trabalho, que está sendo glamourosamente chamado de pejotização, mas é um sucateamento mesmo. Quando a gente passa a trabalhar como autônomo, passa a ter que gerir as entradas e as saídas, e isso tem uma diferença essencial. Uma pessoa assalariada gere somente o jeito que o dinheiro dela vai sair, ela não se preocupa em como ele vai entrar, já o autônomo lida com as duas pontas, e isso é muito complexo, existe uma série de medidas a serem tomadas, existe uma curva de aprendizado que não é curta, não é um aprendizado rápido, mas é muito necessário. O trabalhador autônomo vai ter que equilibrar muitos pratos, ele vai ter que lidar com a execução do trabalho dele, que é a parte mais básica, então se você é um jornalista, vai ter que se preocupar com o seu texto, sua narrativa e todo o resto, mas também vai ter que se preocupar em prospectar novos clientes, em gerir as notas fiscais e toda a parte burocrática que envolve uma empresa, que não é pouca, vai ter que gerenciar as suas reservas para a aposentadoria, vai ter que gerenciar uma série de outras questões que antes ficavam delegadas a outras pessoas e outras instituições, então com certeza sua vida financeira fica complexa e é necessário um movimento e uma preocupação de simplificação, caso contrário vai se atolar em controles e planilhas coloridas e não vai conseguir sair do lugar.
Mais importante que relatórios, planilhas, aplicativos, startups e fintechs que prometem soluções mirabolantes, é entendermos que temos que conseguir ter uma visão clara e simplificada da nossa vida financeira. Se tivermos mecanismos de controle e análise muito rebuscados, em especial para o profissional autônomo, vamos deixar de lado uma semana, depois deixar de lado mais uma semana, e depois de três semanas, não vai dar mais para correr atrás e a gente só vai deixar a coisa seguir, então tem que ser um processo muito simplificado de gestão. Você pode tentar trabalhar com perguntas simples. Por exemplo: Hoje eu tenho x reais na conta.
Quanto eu terei na conta daqui a uma semana? São perguntas simples que vão desencadear uma necessidade de planejamento um pouco mais detalhado. Uma coisa muito importante, que o autônomo eventualmente vai ter que chegar neste ponto, é quando ele separa as contas correntes. Ele separa a vida financeira pessoal da vida financeira profissional, quase como se tivesse uma empresa cujo único funcionário seja ele mesmo. Esta separação entre os fluxos financeiros é muito positiva, é muito importante e todo profissional autônomo deveria almejar chegar a esta posição.

Empreende – Mesmo para quem ganha pouco, é possível guardar dinheiro para uma reserva? Como iniciar este movimento?
Amuri – É muito complicado afirmar que todas as pessoas podem de fato iniciar uma reserva num momento tão delicado econômica e politicamente no nosso país, mas eu diria que sim, a maior parte das pessoas tem condições, as que não estão numa posição de extrema vulnerabilidade social têm condições de iniciar suas próprias reservas. É sempre mais interessante que o processo de formação de reserva aconteça de maneira automática e recorrente, então, em vez de guardar quando sobrar, a ideia é a formação de reserva numa conta fixa, de preferência que seja paga de maneira automática. A maior parte dos bancos oferece isso, a maior parte das fintechs oferece isso. É como se você pudesse formar a sua poupança considerando que todo dia 15 vão sair x reais de sua conta e vão para este investimento. É muito importante que sejam parcelas que caibam no seu bolso mesmo em um mês ruim, e que as transferências sejam feitas de maneira automática e recorrente, então a gente aproveita um dia em que está mais disposto a lidar com estas questões e já agenda as transferências do ano inteiro, e estas transferências vão acontecer, não importa a situação, não importa o humor, não importa o momento que a pessoa está enfrentando.


Por Angelo Davanço