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Inclusão em discurso, exclusão na prática: o desafio da diversidade nas contratações

Inclusão em discurso, exclusão na prática: o desafio da diversidade nas contratações

Apesar de campanhas voltadas ao público LGBT+, preconceito ainda impede acesso igualitário a oportunidades de trabalho

Embora o esforço de marcas e empresas para se aproximarem do público LGBT+ tenha se intensificado nos últimos anos, a inclusão efetiva dessa população no mercado de trabalho ainda enfrenta barreiras significativas.

De acordo com a base de dados do estudo Oldiversity revela que, apesar do avanço na adaptação de lojas e serviços às necessidades desse público, o preconceito continua predominando nas etapas de contratação: 57% dos brasileiros afirmam haver discriminação por parte das empresas na hora de contratar profissionais LGBT+. Entre os próprios membros da comunidade, essa percepção é ainda mais acentuada, 63% têm certeza da existência desse preconceito.

O público LGBT+ tem sido cada vez mais reconhecido como um segmento estratégico de consumo, alvo constante de campanhas publicitárias e ações de marketing. No entanto, essa valorização não se reflete com a mesma intensidade quando o assunto é contratação e oportunidades profissionais. Em muitos casos, as marcas investem em representatividade para vender produtos, mas não adotam a mesma postura ao formar suas equipes. Ou seja, o LGBT+ é bem-vindo como cliente, mas ainda encontra portas fechadas como colaborador.

A avaliação de que o varejo tem se tornado mais preparado para atender o público LGBT+ vem crescendo desde 2020, mas essa melhora é mais reconhecida entre os heterossexuais do que entre os próprios LGBT+. 55% dos entrevistados acreditam que marcas e empresas estão se adequando para atender as necessidades LGBT+. 

Para Edmar Bulla, fundador da Croma Consultoria e idealizador do estudo, “o olhar humano está sendo fomentado por novas gerações em uma sociedade que começa a reconhecer de fato que a diversidade é fundamental e valorosa. Compreende-se que a diversidade traz perspectivas e experiências diferentes, promove a criatividade, impulsiona a inovação e contribui para um ambiente mais inclusivo e igualitário. Porém, ainda existem desafios a serem enfrentados e as marcas têm um compromisso com essa evolução, ao mesmo tempo que credenciam de modo único sua identidade nesse contexto relevante e abraçam novos públicos”.

O preconceito estrutural também se manifesta de forma direta: quase metade dos entrevistados LGBT+ declara já ter sido vítima de algum tipo de discriminação. São dados que reforçam a urgência de ações concretas para garantir segurança e igualdade. 

Ainda há quem ache estranho ser atendido por um profissional LGBT+, 10% dos entrevistados reforçam esta situação. O fato é que o preconceito ainda é grande no Brasil. No fim, só quem é vítima tem a real noção do que isso significa. 

O estudo ouviu 2000 brasileiros em todo o país, utilizando painel on-line, com cotas específicas considerando idade, gênero, classe social e região geográfica. Foram realizadas entrevistas procuradas para comporem as avaliações por raça, orientação sexual e PcDs.


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