Manuel Belmar e o desafio de governança da Globo
IA/Revista Empreende
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Manuel Belmar ocupa uma posição central na estrutura executiva da Globo ao reunir responsabilidades por Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura, além de liderar a Agenda ESG. O desenho concentra áreas que influenciam investimentos, contratos, tecnologia, distribuição de conteúdo e monetização. Documentos institucionais da empresa publicados em 2025 mantinham Belmar nessas funções, enquanto o Relatório de Sustentabilidade 2025 o aponta na diretoria responsável por esses temas.
Não há, entre os fatos apurados, comunicado oficial sobre uma saída de Belmar ou sobre mudança na estrutura executiva da companhia. Ainda assim, a dimensão de suas atribuições permite discutir um tema relevante para empresas de mídia: como organizar a governança quando decisões financeiras, jurídicas, tecnológicas e digitais dependem de uma mesma liderança.
O tamanho da função de Manuel Belmar
Belmar ingressou no Grupo Globo em 2003. Segundo a página institucional Memória Globo, passou a responder por Finanças, Jurídico e Infraestrutura em 2019 e assumiu Produtos Digitais em 2024. Em fevereiro daquele ano, a Globo informou oficialmente que ele também ficaria à frente de Produtos Digitais e Canais Pagos.
O perímetro divulgado pela companhia inclui Globoplay, g1, ge, gshow, Globo.com, Cartola, negócios internacionais e Globo Filmes. A combinação dessas operações com finanças, jurídico e infraestrutura aproxima, em uma mesma diretoria, decisões sobre conteúdo, plataformas, tecnologia, proteção contratual e alocação de recursos.
Esse modelo pode facilitar decisões integradas. Um investimento em streaming, por exemplo, envolve capacidade tecnológica, projeções financeiras, direitos de conteúdo, distribuição e estratégia comercial. Ao mesmo tempo, a concentração amplia a relevância de processos de sucessão, documentação de responsabilidades e instâncias colegiadas para decisões de maior impacto.
Esse desafio se relaciona a debates sobre sucessão e continuidade empresarial. Embora a Globo tenha uma estrutura corporativa e uma escala distintas das empresas familiares, preservar conhecimento operacional e reduzir dependências de posições-chave são objetivos comuns de governança.
Copa de 2026 reforça a disputa por distribuição
A negociação dos direitos da Copa do Mundo de 2026 ilustra a complexidade do setor. Em julho de 2025, a FIFA confirmou o acordo com a CazéTV para a transmissão, no Brasil, dos 104 jogos do torneio. No mesmo comunicado, a entidade informou que a Globo detinha direitos não exclusivos sobre todos os jogos da seleção brasileira, a final e metade das demais partidas.
Os contratos indicam pacotes distintos e coexistentes, não uma simples transferência de direitos entre empresas. A FIFA também afirmou que o acordo com a CazéTV buscava alcançar públicos mais jovens por meio de uma cobertura digital orientada por comunidade. Para a Globo, os direitos esportivos permanecem inseridos em uma estratégia que combina televisão aberta, canais pagos e produtos digitais.
As demonstrações financeiras referentes a 2024 informam que os custos da Globo incluem direitos de exibição e transmissão. Isso ajuda a dimensionar a importância da gestão desses ativos: a compra de direitos precisa ser compatível com audiência, publicidade, assinaturas, distribuição e capacidade de retorno para o conjunto do ecossistema.
Audiência, streaming e publicidade
Na fase de grupos da Copa de 2026, Brasil x Haiti registrou média combinada de 30,7 milhões de espectadores na TV Globo e no SporTV, segundo dados divulgados pela FIFA. A partida alcançou 51,3 milhões de pessoas no ecossistema da Globo. Na mesma cobertura, a CazéTV estabeleceu, segundo a entidade, um recorde mundial de audiência no YouTube para uma transmissão de futebol.
Os resultados mostram que televisão tradicional e plataformas digitais podem manter escala ao mesmo tempo, embora disputem atenção, inventário publicitário e hábitos de consumo. A competição não se resume à audiência de uma partida: envolve relacionamento direto com o público, dados, formatos comerciais, distribuição em múltiplas telas e recorrência de uso.
A página institucional de Belmar informa que, entre 2024 e 2025, o Globoplay ampliou em 42% sua base de assinantes e elevou em 86% a receita publicitária. Como não foram divulgadas as bases absolutas nessa referência, os percentuais não permitem uma comparação detalhada de tamanho. Eles indicam, porém, a relevância do streaming e da publicidade digital para a estratégia da empresa.
Governança além dos nomes
O debate sobre Manuel Belmar ultrapassa uma eventual mudança individual, que não foi confirmada oficialmente. A questão estrutural é a necessidade de equilibrar alcance de massa, custos de conteúdo, evolução tecnológica e monetização digital. Quanto maior a concentração de funções críticas em uma diretoria, maior tende a ser a necessidade de planos de sucessão, controles claros e decisões compartilhadas. Para grupos de mídia, essa organização será determinante na disputa entre televisão, streaming e plataformas orientadas por comunidade.