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Como funciona o mercado de franquias no Brasil: guia completo 2025

Loja de franquia em shopping center representando o mercado de franchising no Brasil

Com faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões em 2025 e mais de 202 mil unidades em operação, o franchising brasileiro vive seu melhor momento histórico e projeta expansão de até 10% em 2026.

O mercado de franquias no Brasil encerrou 2025 com o maior faturamento de sua história: R$ 301,7 bilhões, crescimento de 10,5% sobre 2024, superando inclusive as projeções da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que previa expansão entre 8% e 10%. Os números confirmam o franchising como um dos setores mais resilientes e dinâmicos da economia brasileira, com presença em cerca de 80% dos municípios do país.

Para quem pensa em abrir um negócio próprio, o modelo de franquias oferece uma combinação de marca estabelecida, suporte operacional e redução do risco em relação ao negócio independente. Mas entender como o sistema funciona, quais são os custos reais e os riscos envolvidos é essencial antes de qualquer decisão.

Neste guia, veja como funciona o mercado de franquias no Brasil, quais setores mais crescem, quanto custa entrar no modelo e o que os dados mais recentes revelam sobre o setor.

Como funciona o modelo de franquias

Uma franquia é um acordo comercial pelo qual uma empresa detentora de uma marca e modelo de negócio (franqueadora) autoriza outra pessoa física ou jurídica (franqueado) a operar um ponto de venda usando essa marca, em troca de pagamentos periódicos e respeito a padrões operacionais definidos.

Os principais componentes financeiros de uma franquia são:

  • Taxa de franquia: valor pago uma única vez para adquirir o direito de usar a marca e receber o treinamento inicial.
  • Royalties: percentual mensal sobre o faturamento, pago à franqueadora como contraprestação pelo uso contínuo da marca e suporte.
  • Fundo de marketing: contribuição mensal para campanhas publicitárias da rede, geralmente entre 1% e 3% do faturamento.
  • Investimento inicial total: inclui taxa de franquia, ponto comercial, obras, equipamentos e capital de giro inicial.

O franqueado não compra a empresa, mas o direito de operá-la dentro de um território e por um período determinado em contrato. Ao final do contrato, a renovação pode ser negociada, geralmente com novas condições.

O mercado brasileiro em números

Os dados da ABF referentes a 2025 revelam um setor em expansão consistente:

  • R$ 301,7 bilhões em faturamento total, recorde histórico.
  • 202.444 unidades em operação no país, crescimento de 18% nas aberturas.
  • 3.297 marcas franqueadoras ativas no Brasil.
  • 1,762 milhão de trabalhadores diretos empregados pelo setor.
  • Taxa de encerramento de 7,4%, ainda bem abaixo da média de fechamento de negócios independentes no país.

Para 2026, a ABF projeta crescimento de 8% a 10% no faturamento, com expansão de 2% a 4% no número de redes e aumento semelhante nas unidades e empregos diretos.

Setores que mais cresceram em 2025

O crescimento do franchising foi disseminado entre segmentos, mas alguns se destacaram:

  • Limpeza e Conservação: alta de 16,8%, impulsionada pela expansão de lavanderias e terceirizações.
  • Saúde, Beleza e Bem-Estar: crescimento de 14,6%, com expansão de clínicas de estética, redes de academia e serviços de bem-estar.
  • Alimentação (Comércio e Distribuição): alta de 12,9%, com destaque para produtos regionais e parcerias com a indústria.
  • Food Service: crescimento de 10,8%, com expansão de redes de fast food e conceitos de alimentação rápida e saudável.
  • Entretenimento e Lazer: alta de 10,5%, beneficiada pelo aumento da massa salarial e demanda por experiências.

Franquias baratas: o segmento que democratizou o franchising

Uma das tendências mais relevantes do setor nos últimos três anos é o crescimento das chamadas franquias de baixo investimento, ou microfranquias. Redes como The Best Açaí, Lavateria e Milky Moo lideram em número de novas aberturas, com modelos que podem ser iniciados com investimentos a partir de R$ 5.000 a R$ 30.000.

Esse segmento democratizou o acesso ao franchising para empreendedores com menor capital inicial, incluindo pessoas que saíram do mercado de trabalho formal ou que buscam uma renda complementar. A expansão para o interior do país é uma das principais alavancas desse crescimento: cidades de médio porte, antes pouco contempladas por redes nacionais, passaram a receber franquias de alimentação, beleza e serviços com volume crescente.

Vantagens e riscos do modelo

O franchising oferece vantagens reais em relação ao negócio independente, mas não elimina os riscos do empreendedorismo.

Entre as vantagens:

  • Marca reconhecida que reduz o tempo de construção de clientela.
  • Treinamento e suporte operacional da franqueadora.
  • Poder de compra coletivo da rede, com melhores condições de fornecedores.
  • Taxa de sobrevivência historicamente maior do que negócios independentes.

Entre os riscos:

  • Dependência da reputação da franqueadora: problemas da rede afetam todos os franqueados.
  • Pouca flexibilidade operacional: o franqueado precisa seguir os padrões da marca, mesmo discordando de decisões.
  • Custos contínuos (royalties e fundo de marketing) reduzem a margem de lucro.
  • Contratos longos e com condições que podem ser desfavoráveis na renovação.

Como avaliar uma franquia antes de investir

A lei do franchising (Lei 13.966/2019) obriga as franqueadoras a fornecer a Circular de Oferta de Franquia (COF) pelo menos 10 dias antes da assinatura do contrato. O documento traz dados financeiros, histórico da rede, lista de franqueados ativos e encerrados, e condições contratuais completas.

Especialistas recomendam:

  • Conversar com franqueados ativos e com ex-franqueados da rede.
  • Contratar um advogado especializado em franchising para analisar o contrato.
  • Verificar a saúde financeira da franqueadora, especialmente se a rede não for listada em bolsa.
  • Calcular o ponto de equilíbrio real, não apenas a projeção otimista apresentada pela franqueadora.

Perguntas frequentes sobre franquias

Qual o investimento mínimo para abrir uma franquia no Brasil?
Existem redes com investimento inicial a partir de R$ 5.000, no segmento de microfranquias. O investimento médio do setor, no entanto, fica entre R$ 100.000 e R$ 400.000, dependendo do segmento e do tamanho da operação.

Franquia é um bom negócio?
Depende da rede escolhida, da localização e da gestão do franqueado. O modelo reduz riscos, mas não os elimina. A taxa de encerramento do franchising é menor do que a de negócios independentes, mas ainda chega a 7,4% ao ano, segundo a ABF.

Quanto tempo leva para recuperar o investimento em uma franquia?
O prazo médio de retorno varia por segmento. Em franquias de alimentação, o retorno costuma ocorrer entre 18 e 36 meses. Em segmentos de maior investimento inicial, como saúde e educação, o prazo pode chegar a 48 meses.

Posso abrir uma franquia sem experiência empresarial?
Sim. O modelo foi criado justamente para permitir que pessoas sem experiência anterior operem um negócio com suporte da franqueadora. Porém, habilidades de gestão, relacionamento com equipe e disciplina operacional fazem diferença no resultado.

Leia também: indicadores financeiros que todo empreendedor deve acompanhar, como o mercado financeiro brasileiro cresceu no primeiro trimestre de 2026.

Fontes: Exame — mercado de franquias cresce 10,5% e fatura R$ 301,7 bilhões em 2025, Pequenas Empresas Grandes Negócios — dados da ABF 2025.