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Morning Call: Alívio geopolítico sustenta otimismo; dólar a R$ 4,89

Alívio geopolítico com negociações entre EUA e Irã sustenta otimismo global, mas dólar forte nos EUA pressionará moeda brasileira. Ibovespa espera sinais do BC sobre trajetória de juros.

Mercado Global: alívio com negociações de paz

Os mercados globais iniciaram a semana em alta moderada, refletindo progresso nas negociações entre EUA e Irã. Segundo agências internacionais, o presidente americano Donald Trump considerou “muito possível” um acordo de paz, reduzindo o prêmio de risco geopolítico que havia pressionado bolsas na semana anterior.

A queda nas tensões do Oriente Médio beneficiou principalmente commodities e mercados emergentes, aliviando pressões inflacionárias. Bolsas asiáticas e europeias fecharam em alta na quinta-feira, com foco em dados de empregos americanos e sinais do Federal Reserve sobre a trajetória de juros. Wall Street marcou novos recordes, sinalizando confiança no soft landing da economia americana.

O petróleo recuou para abaixo dos 100 dólares por barril diante da expectativa de paz, enquanto o ouro operou sob pressão de um dólar mais forte. Goldman Sachs, no entanto, adiou sua previsão para cortes de juros do Fed, alertando que preços elevados de energia e riscos inflacionários podem manter as taxas em patamares elevados por mais tempo do que se esperava.

Brasil: Ibovespa recupera, dólar cai a R$ 4,89

O Ibovespa avançou na sessão de sexta-feira, marcando 184 mil pontos e recuperando parte das perdas de maio. O índice opera em alta acumulada após quatro semanas negativas, refletindo ganhos no exterior e alívio geopolítico, conforme dados da B3.

O dólar chegou a seu menor nível desde janeiro de 2024, operando a R$ 4,89, apoiado pela queda do risco-país e fluxos de capital externo atraído pelas oportunidades de valuation em ações brasileiras. A moeda brasileira ganhou competitividade com a redução das tensões globais, favorecendo os exportadores locais.

Na segunda-feira, investidores acompanham a agenda econômica brasileira e qualquer sinalização do Banco Central sobre a trajetória da Selic. O mercado continua atento aos resultados de empresas do Ibovespa, com Magazine Luiza reportando prejuízo no trimestre anterior e afetando confiança em ações de varejo.

Juros, Selic e Crédito: ainda elevados, mas com esperança de alívio

A taxa Selic permanece em 11,75% ao ano, nível elevado que tem impactado o crédito e o setor imobiliário. Embora o Banco Central não tenha sinalizado cortes iminentes, o mercado precifica a primeira redução para a segunda metade de 2026, caso a inflação continue sob controle.

O crédito pessoa jurídica segue contraído, com pequenas e médias empresas enfrentando dificuldades para tomar recursos longos. Bancos mantêm spreads elevados e exigem garantias reais, afetando expansão de negócios. O crédito imobiliário, porém, apresenta sinais de recuperação, com estimativas de crescimento de até 15% em 2026, segundo analistas do Bradesco.

A linha SBPE, com recursos de poupança, movimentou R$ 42 bilhões recentemente, atraída por regras mais flexíveis. O programa MCMV foi atualizado para incluir famílias com renda de até R$ 13 mil, potencialmente impulsionando a demanda no segmento de habitação popular.

Mercado Imobiliário: crédito em alta, mas com cautela

O setor imobiliário responde positivamente ao alívio nas condições de crédito. Incorporadoras como Cyrela, EZTEC e MRV observam aumento na demanda, especialmente em segmentos de valor e classe média. Os fundos imobiliários (FIIs), representados no índice IFIX, recuperam confiança com perspectiva de Selic em trajetória descendente.

Analistas identificam oportunidade em imóveis comerciais e residenciais de maior valor agregado, com grande potencial de apreciação quando as taxas caírem. O segmento de luxo, porém, segue sob pressão em mercados globais, refletindo incerteza econômica nos EUA e Europa.

A relação entre INCC (inflação de custos de construção) e retornos esperados permanece desfavorável, mantendo construtoras cautelosas na expansão de novos projetos até haver clareza sobre a trajetória de juros.

Empresas em Destaque

Magazine Luiza reportou prejuízo no primeiro trimestre de 2026, afetando ações de varejo. Bancos continuam como setor de performance positiva, beneficiados por spread de crédito elevado. Petrobras avança com perspectiva de dividendos altos em contexto de petróleo acima de 95 dólares, enquanto Vale reage positivamente a qualquer estabilidade nas commodities metálicas.

A B3 anunciou nova empresa para sua plataforma, sinalizando confiança no mercado. C&A e outros varejistas reagem positivamente às perspectivas de consumo com dólar mais fraco e possível alívio de juros nos próximos trimestres.

O que pode mover os mercados hoje

Na segunda-feira, Brasil acompanha internacionalmente qualquer declaração do Federal Reserve sobre trajetória de juros. Localmente, investidores observam agenda do Banco Central, com potencial comunicado sobre próximas decisões de política monetária.

Dados de empregos nos EUA continuam monitorados pelo mercado como indicador de persistência ou arrefecimento inflacionário. Qualquer recuo nas negociações entre EUA e Irã poderia reverter ganhos das últimas sessões, reacelerando prêmios de risco geopolítico e pressionando emergentes.

O que isso significa para o investidor

Cenário atual oferece oportunidades para investidores com horizonte de longo prazo em ações brasileiras, especialmente bancos, energéticas e construtoras. A queda do dólar melhora perspectivas para empresas com receita em reais e custos em moeda estrangeira. Setores defensivos como utilidades públicas e alimentos seguem como escolha para portfolios mais conservadores.

Investidores atentos a imobiliário podem começar a acumular posições em FIIs e construtoras, aguardando confirmação de corte de juros. O segmento de varejo segue em pressão, exigindo seleção cuidadosa de empresas com fundamentos sólidos. Criptoativos operam sob volatilidade, com Bitcoin testando suporte em 80 mil dólares, refletindo dinâmica mais ampla de risco.

A redução de riscos geopolíticos oferece pano de fundo menos turbulento para tomada de posição, desde que fundamentos macroeconômicos locais sigam suportando ativos brasileiros.

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Fontes: B3 — dados de mercado em tempo real, Banco Central do Brasil — estatísticas econômicas e monetárias.