Taxa de 6,1% é a menor para o período desde 2012; renda média dos trabalhadores também atinge recorde histórico.
O mercado de trabalho brasileiro abriu 2026 com um dado histórico: a taxa de desocupação no primeiro trimestre ficou em 6,1%, a menor já registrada para esse período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com alta sazonalmente esperada em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o desemprego fechou em 5,1%, o resultado consolida uma tendência de melhora estrutural do mercado de trabalho.
Renda bate recorde histórico
Além da queda no desemprego, a renda média dos trabalhadores também atingiu níveis recordes. Segundo o IBGE, o rendimento médio real dos ocupados chegou ao maior patamar da série histórica, impulsionado pela formalização do emprego e pelo aumento real do salário mínimo. O resultado reforça o poder de compra das famílias e tende a sustentar o consumo interno nos próximos meses.
O número de trabalhadores ocupados no Brasil chegou a 103,5 milhões no trimestre encerrado em março de 2026, outro recorde da série. O contingente de desocupados foi de 6,8 milhões de pessoas, uma redução significativa em relação ao mesmo período do ano anterior.
Setores que puxaram o crescimento
A expansão do emprego foi puxada principalmente pelos setores de comércio, serviços e agronegócio. A construção civil e a indústria de transformação também mostraram recuperação relevante. Em contrapartida, saúde, educação e construção registraram queda sazonal no início do ano, fator recorrente no histórico da pesquisa e que não altera a tendência de longo prazo.
Por que o dado importa
A melhora no mercado de trabalho tem impacto direto sobre a arrecadação federal, o consumo das famílias e a atividade econômica geral. Com mais pessoas empregadas e com renda crescente, a tendência é de redução da inadimplência, aumento da demanda por crédito e ampliação do consumo de bens e serviços. Para o governo federal, o dado é um sinal positivo antes das discussões sobre o orçamento de 2027 e reforça a narrativa de estabilidade macroeconômica.
Comparação histórica
Em 2014, o desemprego no primeiro trimestre estava em torno de 7%, e chegou a picos próximos de 14% durante a crise de 2016 e 2017. A retomada gradual desde 2020 e a aceleração observada entre 2023 e 2025 configuram o melhor ciclo de emprego da história recente do país, segundo dados do próprio IBGE disponibilizados na plataforma SIDRA.
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Fontes: PNAD Contínua do IBGE, série histórica no IBGE SIDRA.