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Ozempic perde patente: o que muda com a chegada dos genéricos ao Brasil

Semaglutida genérica já aparece por R$ 75 em algumas farmácias, mas oferta plena só deve se normalizar no segundo semestre de 2026.

A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, venceu no Brasil em 20 de março de 2026. Com a queda da proteção patentária, fabricantes nacionais e internacionais passaram a ter o direito legal de produzir versões genéricas do medicamento. O impacto, no entanto, não chegou imediatamente às farmácias: o processo de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os desafios técnicos de produção das canetas injetoras atrasaram a chegada dos similares ao mercado.

Quanto custa e quando chega

Segundo levantamento publicado pela imprensa especializada, já é possível encontrar versões genéricas da semaglutida a partir de R$ 75 em algumas farmácias, frente ao preço médio do Ozempic original, que varia entre R$ 800 e R$ 1.200 dependendo da dose. A disponibilidade ainda é limitada e irregular, com previsão de normalização da oferta no segundo semestre de 2026, conforme as aprovações da Anvisa avançarem.

O que é necessário para aprovar um genérico

Para obter o registro de um medicamento genérico no Brasil, a empresa fabricante precisa comprovar bioequivalência com o produto de referência, ou seja, demonstrar que o genérico produz o mesmo efeito terapêutico no organismo. No caso das canetas injetoras com semaglutida, há um desafio adicional: a complexidade do dispositivo de aplicação, que requer tecnologia de fabricação específica e testes adicionais de segurança e usabilidade.

Mercado bilionário em disputa

O mercado brasileiro de medicamentos para obesidade e diabetes tipo 2 é estimado em até R$ 20 bilhões nos próximos anos, segundo analistas do setor farmacêutico. Com a queda da patente, farmacêuticas nacionais como Eurofarma, EMS e Cristália, além de fabricantes asiáticos, entram na disputa por uma fatia expressiva desse mercado. A chegada dos genéricos pode representar uma redução real de custos para pacientes e para o Sistema Único de Saúde (SUS), que já discute a incorporação da semaglutida na lista de medicamentos dispensados gratuitamente.

Riscos do mercado paralelo

Com a alta demanda e a disponibilidade ainda limitada, o mercado paralelo e ilegal de semaglutida cresceu no Brasil. A Anvisa já emitiu alertas sobre produtos falsificados, manipulados sem controle de qualidade ou importados sem registro. O risco é real: doses incorretas, contaminação e ausência de rastreabilidade colocam em risco a saúde dos usuários. A orientação da agência é adquirir o medicamento exclusivamente em farmácias com registro ativo e exigir nota fiscal.

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Fontes: Anvisa — Medicamentos Similares e Genéricos, cobertura sobre o fim da patente do Ozempic.